Lobista é Investigado por Tentativa de Fraude na Saúde Pública
O lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, é investigado por sua suposta participação em um esquema de fraudes envolvendo benefícios previdenciários, que foi revelado em 2025. Recentemente, ele teria tentado expandir seus negócios para a área da saúde pública, buscando negociar com o Ministério da Saúde a venda de medicamentos à base de cannabis, testes rápidos de dengue e outros medicamentos infantis, com valores que poderiam chegar a cifras milionárias.
Em janeiro do ano passado, Antunes foi recebido por representantes do Ministério da Saúde, mas, até o momento, nenhuma transação foi concretizada. A Polícia Federal está analisando mensagens de WhatsApp que sugerem que Antunes e seu grupo teriam uma estratégia planejada para inserir empresas ligadas a ele em contratos públicos, frequentemente sem passar pelo processo de licitação.
As mensagens coletadas durante a investigação indicam que o grupo estava de olho na área da saúde como uma nova oportunidade de negócios. Em uma decisão recente, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, reconheceu essa possibilidade e pediu que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) realizasse uma investigação sobre possíveis irregularidades envolvendo servidores públicos.
Uma linha de investigação sugere que os recursos desviados de aposentadorias estariam sendo utilizados para pagar propinas e criar empresas de Antunes, com o intuito de competir por contratos na saúde. Entre essas empresas, uma delas é a World Cannabis, que se dedica à venda de produtos derivados da cannabis medicinal.
No final de 2024, mensagens trocadas entre Antunes e sua equipe mencionavam a revisão de uma resolução da Anvisa que regula a licença sanitária para a fabricação e importação de tais produtos. Nesse mesmo período, o grupo também discutiu a elaboração de um documento que previa a compra, pelo Ministério da Saúde, de 1,2 milhão de frascos de canabidiol.
Em janeiro de 2025, novas comunicações revelaram tentativas de vender testes rápidos para detectar dengue, com planos novamente de evitar processos licitatórios. A situação é monitorada com atenção pelas autoridades, que buscam desvendar a complexidade das operações de Antunes e seu grupo no setor da saúde.
