O avanço da saúde pública no país está diretamente ligado à formação acadêmica de qualidade. A educação de médicos, enfermeiros, biomédicos e outros profissionais é crucial para a eficácia do sistema de saúde. De acordo com dados do Ministério da Saúde, o Sistema Único de Saúde (SUS) é responsável por mais de 70% dos atendimentos em todo o território nacional, o que demanda uma formação sólida e um forte compromisso ético dos futuros profissionais de saúde.

    Nos últimos anos, universidades têm investido em programas que combinam tecnologia e assistência. Um exemplo é a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), que criou um dos maiores centros de simulação realista do país. Esse centro é utilizado para treinar estudantes em situações complexas, contribuindo para a redução de erros clínicos. A Associação Brasileira de Simulação na Saúde (ABRASSIM) aponta que o uso desses ambientes de treinamento cresce anualmente cerca de 15% no país, uma melhoria necessária para preparar equipes para decisões mais seguras.

    Além disso, a regulamentação da telemedicina pela Lei 14.510/2022 trouxe novos desafios. As instituições de ensino estão adaptando seus currículos para formar profissionais capacitados a realizar atendimentos remotos, mantendo tanto o rigor técnico quanto a sensibilidade humana que essa prática requer.

    A introdução da inteligência artificial (IA) na formação acadêmica e nos hospitais é outro fator que transforma a área da saúde. O Hospital Universitário da USP, por exemplo, já utiliza sistemas de IA para auxiliar no diagnóstico de exames de imagem e no monitoramento de pacientes em estado crítico. Contudo, essa evolução também levanta questões éticas significativas. A Fundação Getulio Vargas (FGV) ressalta que 73% das instituições de saúde ainda lutam para se adequar à Lei Geral de Proteção de Dados. Isso torna fundamental que as escolas incluam disciplinas sobre proteção de dados, ética no uso de tecnologia e responsabilidade na aplicação de algoritmos.

    As discussões sobre bioética também se tornaram parte essencial da formação em saúde. A crescente coleta de dados clínicos e o uso de sistemas preditivos acarretam a possibilidade de preconceitos nos resultados. A Sociedade Brasileira de Bioética (SBB) alerta que decisões médicas baseadas unicamente em sistemas automatizados podem acentuar desigualdades e prejudicar a autonomia dos pacientes. Neste cenário, facultades que promovem debates sobre ética, analisam casos reais e desenvolvem programas de extensão comunitária ajudam a formar profissionais cientes do impacto social e moral de suas ações.

    Iniciativas no ensino superior têm mostrado caminhos efetivos para aproximar a formação acadêmica dos serviços públicos. Clínicas-escola ligadas a universidades estaduais de São Paulo têm ampliado a oferta de serviços especializados, especialmente nas áreas de saúde mental e fisioterapia, contribuindo para a diminuição de filas no SUS. Entre 2019 e 2023, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) informa que projetos de extensão universitária beneficiaram mais de 11 milhões de pessoas, solidificando o papel das instituições como agentes ativos na saúde pública.

    Fortalecer o SUS requer universidades que integrem rigor científico, ética, tecnologia e responsabilidade social. À medida que o país enfrenta o aumento de doenças crônicas, o envelhecimento da população e as consequências das mudanças climáticas, a formação em saúde precisa ir além do aspecto técnico. As faculdades que investem em inovação, envolvimento comunitário e formação ética preparam profissionais prontos para um futuro em que cuidar significa também gerenciar tecnologias, proteger dados, entender desigualdades e assegurar a dignidade dos pacientes. A eficácia do sistema público de saúde do país dependerá dessa integração entre ensino, ciência e um compromisso humano inabalável.

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