A situação do lixo e entulho no Distrito Federal se tornou um problema sério e recorrente, impactando a saúde da população e o meio ambiente. Em várias áreas, é comum encontrar resíduos de construção, móveis abandonados, pneus, sacolas plásticas e até animais mortos em calçadas e terrenos vagos. Isso cria um cenário de descaso e insegurança para os moradores. Na última sexta-feira (9), durante a assinatura de um termo para modernizar o Complexo Integrado de Reciclagem do Distrito Federal, a governadora em exercício, Celina Leão, fez um apelo à comunidade para que haja uma maior conscientização sobre a importância do descarte correto de lixo.

    De acordo com o especialista em ecologia José Francisco, o descarte inadequado de resíduos pode contaminar solo e água, se espalhando por rios e lagos. Ele explica que o acúmulo de lixo nas ruas pode entupir sistemas de drenagem, resultando em alagamentos, especialmente durante a temporada de chuvas.

    José Francisco ressalta que o acúmulo de lixo também cria condições para a reprodução de pragas urbanas, como ratos e insetos, que buscam abrigo e alimento nesses resíduos. Ele alerta que essa situação não é apenas um desafio de saúde pública, mas também uma questão de gestão urbana e justiça social. Para melhorar essa realidade, ele sugere a implementação de um programa de separação de lixo desde as residências e o aumento do número de lixeiras em áreas onde o lixo é frequentemente descartado indevidamente. Além disso, defende que o uso de câmeras e a presença de agentes para multar infratores poderia ajudar a coibir esse comportamento.

    Quem vive próximo a locais com descarte irregular está sentindo diretamente os efeitos desse problema. Iberson Pereira Silva, um frentista de 24 anos, relata que todos os dias passa por um ponto em Taguatinga onde o lixo só aumenta. Ele menciona o mau cheiro que vem do local e que muitas vezes isso o faz passar mal. Iberson observa com frequência pessoas jogando lixo no lugar errado e acredita que mais fiscalização poderia melhorar a situação.

    Antônia Lucinete da Silva, uma moradora de Ceilândia de 53 anos, também enfrenta dificuldades devido ao lixo jogado na porta de sua casa. Ela explicou que sua vizinhança deveria usar o lugar correto para descartar o lixo, mas, mesmo assim, muitos continuam a despejar resíduos em frente à sua casa, o que já acarretou o aparecimento de pragas, como ratos e baratas.

    O comerciante José de Jesus, de 71 anos, que atua no Sol Nascente há três anos, afirma que o problema é uma constante na região. Ele menciona o receio de reclamar sobre o lixo, pois tem medo de retaliações. Ele também expressa preocupação com saúde pública, especialmente com a dengue, já que os resíduos acumulados podem facilitar a reprodução do mosquito transmissor da doença.

    O Serviço de Limpeza Urbana (SLU) informa que remove diariamente resíduos irregulares em todas as regiões do Distrito Federal, além de oferecer serviços de coleta seletiva e catação. O órgão realiza mutirões de limpeza, sendo o próximo programado para os dias 15, 16 e 17 de janeiro no Gama, e promove ações educativas em diversas regiões.

    Atualmente, o SLU conta com cerca de 26 mil lixeiras espalhadas em áreas de grande circulação, mas o descarte irregular ainda ocorre com frequência. A falta de conscientização da população é apontada como uma das principais dificuldades. O SLU ainda disponibiliza um aplicativo chamado SLU Coleta DF, que ajuda os cidadãos a saberem os dias e horários corretos para descartar o lixo.

    No que diz respeito às penalidades, o descarte irregular pode ter consequências legais, dependendo do impacto causado à saúde e ao meio ambiente. As legislações do Distrito Federal impõem multas para aqueles que não respeitam as normas relacionadas ao descarte de resíduos. Uma mobilização coletiva, aliada a uma ação mais efetiva do governo, é fundamental para reverter essa situação e garantir um ambiente mais limpo e seguro para todos.

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