Avanços na Saúde Pública e a Formação de Profissionais
A saúde pública no país enfrenta desafios complexos que exigem uma formação universitária de qualidade para médicos, enfermeiros, biomédicos e outros profissionais. O Sistema Único de Saúde (SUS) é responsável por mais de 70% dos atendimentos em todo o território nacional, o que destaca a importância de uma formação que alie conhecimento técnico e compromisso ético entre os futuros profissionais.
Nos últimos anos, diversas universidades brasileiras têm investido em programas que integram tecnologia à assistência em saúde. A Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), por exemplo, criou um dos maiores centros de simulação realista do Brasil. Esse espaço é utilizado para treinar estudantes em cenários complexos, visando reduzir erros clínicos durante atendimentos. A Associação Brasileira de Simulação na Saúde (ABRASSIM) aponta que o uso de simulações tem crescido cerca de 15% ao ano no país, refletindo a necessidade de preparar as equipes para decisões seguras.
Além disso, a regulamentação da telemedicina, com a Lei 14.510/2022, obrigou as instituições de ensino a adaptarem seus currículos. Isso é fundamental para formar profissionais que consigam realizar atendimentos remotos com eficiência técnica e sensibilidade.
A introdução da inteligência artificial (IA) no ensino e na prática médica também tem se destacado. Instituições como o Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (USP) utilizam sistemas de IA para ajudar no diagnóstico por imagem e no monitoramento de pacientes em estado crítico. Apesar dos benefícios, essa transformação levanta questões éticas significativas. Muitas instituições de saúde ainda enfrentam dificuldades para atender à Lei Geral de Proteção de Dados, o que destaca a importância de incluir disciplinas sobre proteção de dados e responsabilidade na formação acadêmica.
Questões bioéticas modernas agora fazem parte da educação em saúde. A coleta crescente de dados clínicos e o uso de sistemas preditivos podem gerar vieses que impactam tanto os pacientes quanto os profissionais de saúde. A Sociedade Brasileira de Bioética (SBB) alerta que decisões médicas baseadas unicamente em sistemas automatizados podem acentuar desigualdades e comprometer a autonomia dos pacientes. Por isso, faculdades que promovem discussões éticas, análise de casos reais e programas de extensão em comunidades vulneráveis buscam formar profissionais mais conscientes do impacto de suas escolhas.
Existem também iniciativas no ensino superior que mostram como a formação pode se aproximar do serviço público. Clínicas-escola ligadas a universidades estaduais de São Paulo têm ampliado o acesso a serviços especializados, especialmente nas áreas de saúde mental e fisioterapia, o que contribui para diminuir as filas no SUS. Segundo a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), projetos de extensão universitária beneficiaram mais de 11 milhões de pessoas entre 2019 e 2023. Essas iniciativas destacam o papel das instituições de ensino não apenas como formadoras de profissionais, mas também como agentes ativos na saúde pública.
O fortalecimento do SUS depende de universidades que consigam unir ciência, ética, tecnologia e responsabilidade social. Em um cenário de aumento das doenças crônicas, envelhecimento da população e mudanças climáticas, a formação em saúde deve ir além do conhecimento técnico. Faculdades que apostam em inovação e integração comunitária estão preparando profissionais para um futuro onde atuar na saúde envolve também manejar tecnologias, proteger dados, compreender desigualdades e garantir dignidade no atendimento. O futuro da saúde pública no país depende dessa conexão entre ensino, ciência e responsabilidade social.
