O tempo que a gente passa na frente das telas mudou não só como consumimos informações, mas também como nos sentimos de maneira geral. A psicanalista Elainne Ourives comenta que essa hiperconexão mantém o cérebro em alerta o tempo todo. Isso pode gerar ansiedade, cansaço mental e dificuldade de se concentrar.

    Ela diz que a mente humana não foi feita para estímulos constantes. “Precisamos de pausas, silêncio e de estar presente. Se não conseguimos isso, o cérebro fica alerta, como se estivesse sempre em risco”, explica.

    Um levantamento mostrou que os brasileiros ficam, em média, mais de nove horas por dia conectados à internet. Isso ajuda a entender por que sintomas emocionais estão surgindo cada vez mais. Segundo Elainne, a sobrecarga digital afeta o corpo da mesma maneira que o estresse. Isso gera a liberação de hormônios do estresse, diminui a clareza mental e aumenta a irritação.

    Redes sociais, comparação e saúde mental

    As redes sociais também têm um impacto direto na saúde mental. Um estudo revelou que passar muito tempo nas redes, junto com a comparação com os outros, aumenta os sintomas de ansiedade e burnout. Quando as pessoas se comparam com os outros, isso gera um ciclo de cobrança e a sensação de insuficiência, desgastando emocionalmente.

    Exaustão digital no trabalho

    No ambiente de trabalho, a situação pode ser ainda pior. Uma pesquisa da Deloitte mostrou que mais de 60% dos profissionais checam seus celulares a cada dez minutos no trabalho, e isso os deixa mentalmente exaustos ao final do dia. Elainne observa que o descanso parece nunca chegar. Mesmo fora do trabalho, a mente fica em estado de alerta.

    Ela ressalta que o problema não é a tecnologia em si, mas como a usamos. “O risco começa quando a pessoa não escolhe mais quando se conectar, mas apenas reage a estímulos. A mente então deixa de criar e só passa a responder” afirma Elainne.

    Impactos do uso excessivo de telas na aprendizagem

    O debate sobre o uso excessivo de telas já chegou às escolas. Pesquisas da Universidade de São Paulo (USP) mostram que o uso prolongado de telas pode diminuir muito a capacidade de foco e a aprendizagem de crianças e adolescentes. Isso é preocupante.

    Internacionalmente, organizações vinculadas à ONU discutem maneiras de limitar o uso indiscriminado de tecnologias digitais nas escolas. O foco é sempre proteger o bem-estar emocional dos estudantes.

    Caminhos para recuperar o equilíbrio mental

    Para reequilibrar a saúde mental, Elainne Ourives sugere algumas atitudes simples, mas importantes. Fazer pausas, reduzir as notificações e ter mais contato pessoal ajudam bastante. “Estar presente não é um luxo, é uma necessidade emocional”, diz ela. Práticas como respiração consciente, momentos de silêncio e contato com a natureza ajudam o cérebro a relaxar e a deixar de estar sempre em alerta.

    “O desafio atual não é apenas se desconectar da tecnologia, mas aprender a estar verdadeiramente presente. A verdadeira inteligência não está em responder rápido, mas em manter o equilíbrio emocional”, conclui.

    A situação de estarmos sempre conectados pode prejudicar nossa saúde mental, e entender isso é um passo importante. Com algumas mudanças no nosso cotidiano, podemos encontrar um caminho mais equilibrado. O objetivo é cuidar de nós mesmos, tendo consciência de como a tecnologia pode afetar nossas vidas. Dessa forma, a gente não só se protege como também se permite viver momentos de qualidade, com menos estresse e ansiedade.

    A reflexão sobre como as telas impactam nosso dia a dia é vital, não só para adultos, mas principalmente para as crianças e adolescentes que estão em fase de formação. Eles precisam de interações saudáveis e momentos de desconexão para o desenvolvimento emocional e social.

    Por isso, vale a pena lembrar que estabelecer limites e praticar a desconexão são passos fundamentais para evitar a sobrecarga mental. Assim, a gente consegue aproveitar a tecnologia de forma mais saudável. Que a gente fique ligado na qualidade do tempo que estamos passando nas telas e busque sempre um equilíbrio.

    Dessa forma, é possível criar um ambiente mais saudável tanto em casa quanto no trabalho, promovendo um estado emocional mais estável e positivo. A tecnologia deve estar a nosso serviço, e não o contrário. Com essas práticas simples, dá para viver de uma forma mais leve e plena, garantindo nosso bem-estar no mundo digital.

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