A Organização dos Estados Americanos (OEA) realizou uma reunião de emergência para discutir a crise na Venezuela. O encontro deixou evidente o forte divórcio entre os países do continente e a formação de uma aliança de direita, apoiada pelo governo dos Estados Unidos. Durante a reunião, representantes dos EUA advertiram que não permitirão que a Venezuela, que possui a maior reserva de petróleo do mundo, fique sob o controle de “adversários”.
Os Estados Unidos também exigiram a liberação de cerca de mil prisioneiros políticos, atualmente detidos pelo governo venezuelano. No último fim de semana, diversas nações tentaram barrar uma declaração conjunta da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) que se opunha a uma possível intervenção militar dos EUA. Entre os países que se opuseram a essa declaração estavam Argentina, Paraguai, Equador e El Salvador.
Na reunião em Washington, convocada por países como Colômbia, Brasil, Chile, Uruguai, Guatemala e México, a delegação americana repetiu sua postura de que a intervenção não seria uma invasão, mas sim uma ação para prender um fugitivo relacionado a crimes organizados. Os diplomatas reforçaram que não permitiriam que a Venezuela se tornasse um ponto de operações de potências como China, Cuba e Irã.
A delegação dos EUA caracterizou o governo de Nicolás Maduro como responsável por “destruir a ordem democrática” e afirmou que o governo americano está comprometido com um futuro democrático para a Venezuela. Além disso, pediram à ONU que tivesse acesso às prisões no país.
Entretanto, a fala dos representantes americanos gerou protestos durante a reunião. Um dos participantes se manifestou contra as ações de Trump, levando a uma interrupção do discurso.
Por outro lado, alguns países expressaram preocupação com as consequências das ações dos EUA. A delegação mexicana afirmou que intervenções militares não trazem democracia e pediu unidade na América Latina para resistir a ingerências externas. O vice-chanceler da Colômbia destacou que a ação militar é uma violação do direito internacional e que somente os venezuelanos devem decidir o futuro de seu país. Ele também criticou os ataques de Trump ao presidente colombiano, Gustavo Petro, exigindo respeito à soberania de seu país.
Enquanto isso, a delegação chilena criticou a falta de legitimidade nas futuras eleições venezuelanas, mas também condenou a ação militar americana, reforçando que o controle externo pode desestabilizar a região. O governo do Uruguai reiterou a necessidade de respeitar a soberania e não violar fronteiras, defendendo um diálogo para uma solução pacífica.
Apesar disso, Trump encontrou apoio em alguns países. O governo do Peru pediu um minuto de silêncio pelas “vítimas de Maduro” e o chamou de “ditador”. A Bolívia também se posicionou contra o governo venezuelano, descrevendo-o como um “narcoestado”.
Os países caribenhos preferiram manter uma postura mais neutra, com a Jamaica pedindo apenas proteção para a população civil. O vice-ministro de Relações Exteriores da República Dominicana mencionou que Maduro expulsou seus diplomatas após a não aceitação dos resultados da eleição, mas não comentou a ação militar dos EUA, apenas solicitou que a OEA acompanhasse o povo venezuelano em busca de democracia.
Por fim, parte dos países questionou a legitimidade do governo venezuelano e seu novo líder, Delcy Rodríguez. O Canadá, por exemplo, pediu moderação e destacou que o atual governo não possui legitimidade democrática.
