Líderes europeus expressaram sua desaprovação em relação às ações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que declarou sua intenção de “controlar” a Groenlândia. Essa ilha é uma parte autônoma da Dinamarca e, nas últimas semanas, Trump fez várias ameaças sobre a possibilidade de tomar a Groenlândia, alegando que isso é fundamental para a segurança nacional dos EUA.

    Em reação, o presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que é hora de respeitar os outros e defender a lei, ao invés de ceder à brutalidade. Ele criticou a postura agressiva de Trump e mencionou a “agressividade inútil” de suas ameaças de imposição de tarifas sobre países que se opõem ao controle americano da Groenlândia. Macron declarou que é um momento em que “não deve haver novo imperialismo ou colonialismo”.

    A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, também se manifestou, chamando as ameaças de Trump de um erro e relembrando que a Europa e os EUA tinham um acordo comercial firmado em julho passado. Ela enfatizou que um acordo deve ser respeitado e que os europeus consideram os cidadãos americanos como amigos e aliados. Von der Leyen alertou que a relação entre os EUA e a Europa não deve seguir um caminho descendente.

    O primeiro-ministro da Bélgica, Bart De Wever, ressaltou que a Europa está em uma encruzilhada e que muitos limites estão sendo ultrapassados por Trump, o que pode afetar a dignidade do continente. Ele expressou que, embora os EUA sejam aliados, é necessário que ajam como tal. De Wever mencionou que 80 anos de parceria transatlântica poderiam estar se desfazendo com ameaças de agressão militar entre países da OTAN.

    Trump, em suas redes sociais, reafirmou que a Groenlândia é essencial para a segurança national e divulgou imagens representando essa afirmação, mostrando uma bandeira dos EUA sendo plantada na ilha. Essa urgência em relação à Groenlândia provocou uma nova crise nas relações comerciais entre a Europa e os EUA, levando a União Europeia a considerar medidas retaliatórias, como tarifas sobre produtos americanos.

    Enquanto isso, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, se posicionou de forma mais cautelosa em relação a Trump, considerados os impostos propostos pelo presidente americano como inadequados. O governo britânico continua com seus planos de ceder as Ilhas Chagos a Maurício, uma ação criticada por Trump.

    Na tentativa de apaziguar as tensões, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, sugeriu que a situação se resolveria e que o alarme europeu era desnecessário. Ele pediu calma e assegurou que a relação entre Europa e EUA é sólida.

    A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, afirmou que a Dinamarca sempre buscou a cooperação e que o pior ainda pode estar por vir em relação a essa disputa. O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, disse ser improvável o uso de força militar, mas que a situação poderia afetar o mundo exterior.

    A discussão em torno da Groenlândia tem amplas repercussões para a segurança na região do Ártico e a possibilidade de uma maior presença militar europeia frente à crescente demanda dos EUA por segurança na área. Com a escalada das tensões entre os dois lados do Atlântico, a cúpula do Fórum Econômico Mundial em Davos se tornou um palco importante para essas discussões sobre a futura relação transatlântica e o papel da Europa em um mundo em mudança.

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