Após dois fortes terremotos que atingiram a Venezuela na última quarta-feira (24), o governo federal resgatou 13 cidadãos brasileiros que estavam de passagem pelo país. O transporte dos brasileiros foi feito neste domingo (28). Eles haviam procurado a Embaixada do Brasil em Caracas em caráter emergencial, já que o aeroporto comercial da capital venezuelana está fechado.
O resgate foi feito em uma aeronave da FAB (Força Aérea Brasileira). O avião estava no país vizinho para levar ajuda humanitária. O presidente Lula (PT) autorizou o envio de uma missão humanitária brasileira para auxiliar a Venezuela. A equipe partiu a bordo de uma aeronave KC-390 Millennium da FAB, composta por profissionais de diferentes áreas, cães farejadores e equipamentos especializados para operações de busca e resgate.
Ao menos dois brasileiros morreram após os fortes terremotos. Em nota, o Itamaraty lamentou as mortes e informou que as vítimas eram um homem e uma mulher. O homem é Romildo Batista de Lima, 69, morador de Uberlândia (MG). Ele morreu na última quarta-feira (24) quando uma parede desabou sobre ele durante viagem à Venezuela. Ele estava no país desde abril com a esposa, que é venezuelana e visitava a família. A outra vítima brasileira é Vanessa Zacarias da Silva, 44, que morava no Distrito Federal.
O número de mortos no país vizinho é de 1.430, com 3.328 feridos. A informação foi dada durante uma entrevista coletiva do governo federal, transmitida pela emissora estatal VTV. Mais de 50 mil pessoas estão desaparecidas, segundo uma estimativa da ONU. “Trata-se de uma operação de socorro extremamente complexa. Mais de 50 mil pessoas estão desaparecidas e mais de 900 morreram. Portanto, a busca nos escombros é uma tarefa colossal”, afirmou o subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, Tom Fletcher.
A extensão da destruição sugere que o número real de vítimas pode ser muito maior. Para efeito de comparação, terremotos de magnitude semelhante causaram mais de 200 mil mortes no Haiti, em janeiro de 2010; 73 mil mortes na Caxemira, em outubro de 2005; e quase 53,5 mil mortes na fronteira entre Turquia e Síria, em fevereiro de 2023. O Serviço Geológico dos Estados Unidos estima risco de mais de 10 mil mortes. Segundo a análise, há 44% de probabilidade de o desastre causar mais de 10 mil mortes e 30% de chance de ultrapassar 100 mil vítimas fatais.
Os dois terremotos ocorreram com cerca de 40 segundos de diferença, segundo o USGS, e tiveram epicentros muito próximos entre si. O primeiro tremor teve magnitude 7,2 e ocorreu a oeste de Morón, cidade localizada no litoral venezuelano. O segundo, de magnitude 7,5, foi registrado cerca de 16 quilômetros a sudoeste da cidade. Vídeos publicados nas redes sociais mostram prédios e casas danificados, nuvens de poeira e pessoas correndo pelas ruas. O Aeroporto Internacional de Maiquetía, principal do país, também foi atingido. Terremotos são relativamente frequentes na Venezuela, mas a intensidade dos tremores foi considerada atípica. Os sismos mais fortes registrados recentemente no país foram os de Cariaco, em 1997, e o de Caracas, em 1967.

