A produtora GoUp, responsável pelo filme “Dark Horse” sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), informou que o orçamento já executado da produção chega a cerca de US$ 13 milhões, o equivalente a R$ 65,7 milhões. A informação foi dada pela dona da produtora, Karina Ferreira da Gama, em entrevista à Globonews nesta terça-feira, 19.

    De acordo com a produtora, mais de 90% desse valor foi bancado por Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, que está preso e é investigado por suspeita de fraudes bilionárias na instituição. O senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) já admitiu ter recebido de Vorcaro mais de US$ 12 milhões (cerca de R$ 60,6 milhões) para “patrocinar” o longa, valor que representa aproximadamente 92% do orçamento atual.

    Na semana passada, o site Intercept Brasil divulgou mensagens de texto e áudio trocadas entre Flávio e o dono do Banco Master. Nos diálogos, o senador cobra dinheiro de Vorcaro para bancar a produção do filme sobre a vida do pai.

    Karina afirmou que, após a prisão de Vorcaro, a equipe do filme precisou buscar novos investidores para dar continuidade ao projeto. Segundo ela, Vorcaro atuou como um intermediador de verba, e não como investidor. Já Flávio Bolsonaro, em outras entrevistas, se refere a Vorcaro como investidor e patrocinador do “Dark Horse”.

    A produtora disse que não recebeu recursos diretamente de Vorcaro ou de empresas ligadas a ele, mas sim do fundo Heavengate, que fica no Texas, nos Estados Unidos. O fundo é administrado por aliados do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), irmão de Flávio.

    A Polícia Federal (PF) investiga se o dinheiro repassado por Vorcaro estaria sendo usado para custear Eduardo, que vive nos Estados Unidos desde o início de 2025 e teve seus bens e contas bloqueados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Flávio nega que a verba tenha sido usada para outros fins além da produção do filme.

    Antes da divulgação dos áudios, Flávio negava que o filme tivesse recebido financiamento de Vorcaro. Depois da reportagem do Intercept Brasil, ele mudou a versão e admitiu os pagamentos, mas nega irregularidades, afirmando que se tratava de um “patrocínio” ou “investimento”.

    Segundo informações do Intercept Brasil, confirmadas pelo Estadão, havia uma negociação para que Vorcaro contribuísse com US$ 24 milhões (R$ 121,2 milhões). Esses valores constam em documentos da investigação da PF sobre o caso Master. O montante já repassado por Vorcaro para o filme supera os orçamentos de “Ainda Estou Aqui” (R$ 45 milhões) e “O Agente Secreto” (R$ 28 milhões), dois filmes brasileiros que concorreram ao Oscar.

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    Nilson Tales

    Formado em Engenharia de Alimentos pela UEFS, Nilson Tales trabalhou durante 25 anos na indústria de alimentos, mais especificamente em laticínios. Depois de 30 anos, decidiu dedicar-se ao seu livro, que está para ser lançado, sobre as Táticas Indústrias de grandes empresas. Encara como hobby a escrita dos artigos no Universo NEO e vê como uma oportunidade de se aproximar da nova geração.