O primeiro-ministro da França, Sébastien Lecornu, anunciou neste domingo (5) a suspensão da importação de frutas da América do Sul que contenham agrotóxicos proibidos na Europa. Essa decisão visa atender as demandas dos agricultores franceses e pode dificultar ainda mais as negociações para a ratificação do acordos comerciais entre a União Europeia e o Mercosul.
Em uma carta aberta direcionada aos agricultores, Lecornu informou que, nesta semana, o governo publicará portarias que proíbem a importação de alimentos de países sul-americanos, como abacates e maçãs, que apresentem resíduos de cinco substâncias agroquímicas já proibidas na Europa. As substâncias mencionadas são: mancozebe, glufosinato, tiofanato-metílico e carbendazim. Além das frutas já citadas, outros produtos, como mangas, goiabas, cítricos e uvas, também serão afetados pela medida.
O primeiro-ministro afirmou que os controles sobre essas importações serão intensificados nas fronteiras e em todo o território francês. Ele destacou que as instruções para esse controle se tornaram mais rigorosas e pediu que a União Europeia amplifique essas ações para toda a região.
A França tem se posicionado contra o tratado de redução de tarifas, em grande parte devido à forte pressão dos agricultores locais, que temem a concorrência com os produtos oriundos da América do Sul. Em dezembro, antes da assinatura final do acordo entre os dois blocos, o governo francês, com apoio da Itália, conseguiu postergar as negociações, argumentando a necessidade de mais salvaguardas e controles sanitários.
Esse adiamento desagradou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que planejava finalizar seu mandato temporário na presidência do Mercosul com a assinatura do acordo. Após discutir o assunto com a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, Lula concordou em adiar a cerimônia para o início do próximo ano.
Porém, o Brasil indicou que pode desistir das negociações caso haja mais atrasos. Enquanto isso, a França continua a trabalhar por trás das câmeras para dificultar a implementação do acordo, que ainda precisa passar pela aprovação do Parlamento Europeu, mesmo que a assinatura tenha sido realizada.
