A Funcional, uma empresa que atua no mercado de programas de adesão a benefícios de saúde, passou por uma reestruturação significativa em sua gestão no segundo semestre de 2025. Com um investimento de R$ 12 milhões, a companhia decidiu se concentrar em sua área principal, evitando desvios em sua atuação. Segundo Marília Rocca, CEO da Funcional, a empresa percebeu que estava tomando decisões inadequadas, especialmente em relação a fusões e aquisições, e decidiu “fazer um freio de arrumação”.
Desde sua fundação há 25 anos, a Funcional cresceu e hoje tem um faturamento acima de R$ 100 milhões. A empresa começou a realizar aquisições em 2017, levando para seu portfólio empresas como bCare, Fidelize e Prospera. Recentemente, a Funcional decidiu suspender a separação de sua unidade Prospera para fortalecer sua atuação principal. Marília explica que a empresa detém 70% do mercado de benefícios de farmácia para grandes corporações.
Esse movimento acontece em um contexto favorável. O varejo farmacêutico brasileiro alcançou um faturamento recorde de R$ 243,33 bilhões até novembro de 2025, com um crescimento de 10,81% em comparação ao ano anterior.
Atualmente, a Funcional realiza cerca de 18 milhões de transações por ano e está conectada a 58 mil farmácias e 40 indústrias em todo o país, atendendo 7 milhões de pacientes. A empresa se destaca em três segmentos principais: o gerenciamento de benefícios farmacêuticos, o benefício farmácia e o uso de inteligência de dados.
O gerenciamento de benefícios farmacêuticos (PBM) é um dos pilares onde a Funcional se destaca como intermediária. Esse modelo oferece descontos diretos da indústria farmacêutica ao consumidor, eliminando a necessidade de intermediação por planos de saúde. Assim, o paciente pode acessar medicamentos a preços mais baixos utilizando seu CPF no ato da compra.
O segundo segmento, o benefício farmácia, é voltado para reembolsos de medicamentos para colaboradores. Esse conceito foi criado pelo fundador da empresa, Fabio Hansen, que identificou que as grandes corporações precisavam reduzir custos com saúde. Esse tipo de benefício possibilita que as empresas subsidiam parte do custo dos medicamentos, proporcionando descontos aos funcionários.
Além disso, a Funcional utiliza a inteligência de dados para gerar insights valiosos a partir das interações do ecossistema de saúde. Esses dados ajudam a entender melhor os comportamentos dos pacientes e a formular estratégias mais eficazes para a indústria farmacêutica.
Um exemplo claro da atuação da Funcional é o uso do cartão tokenizado para pagamentos no benefício farmácia, que funciona de forma semelhante a um voucher de alimentação. Essa abordagem permite que a empresa colabore investindo 50% do valor de determinados medicamentos, ajudando os colaboradores a reduzir custos.
A área de PBM cresceu consideravelmente após a promulgação da Lei dos Genéricos em 1999, que permitiu a competição de medicamentos genéricos, muitas vezes mais baratos que os de referência. A Funcional atua para garantir que o processo de desconto e ressarcimento entre a indústria e o varejo ocorra de maneira eficaz, lidando com toda a complexidade envolvida.
Além disso, a empresa possui dados de uso de medicamentos que ajudam a entender o comportamento dos pacientes, como o uso de medicamentos para emagrecimento ou a mudança para hábitos de saúde mais saudáveis, o que é valioso para as estratégias de comunicação nas indústrias.
Marília Rocca alerta que os medicamentos terão um papel cada vez mais importante no futuro, com o aumento da população idosa. Segundo projeções do IBGE, em 30 anos, um terço da população pode ter mais de 60 anos, o que intensifica a necessidade de tratamentos eficazes.
A Funcional atualmente atende 2,5 milhões de vidas com o benefício farmácia. Contudo, apenas 5% da população utiliza esse incentivo para a compra de medicamentos. A CEO destaca o importante desafio de informar sobre doenças crônicas, como a hipertensão, que afeta 30% da população brasileira. A Organização Mundial da Saúde aponta que 54% das doenças que mais matam são crônicas, e a conscientização sobre estas condições pode trazer benefícios significativos em saúde pública.
