Em 2025, o Espírito Santo recebeu reconhecimento internacional como uma zona livre de febre aftosa sem vacinação, um feito oficializado em 29 de maio pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) em Paris. Essa conquista é fruto de mais de 50 anos de esforços conjuntos entre o governo e o setor produtivo e é considerada um marco para a pecuária capixaba e brasileira, além de reforçar o trabalho realizado na defesa sanitária animal.
A delegação do Espírito Santo que participou do evento em Paris incluiu representantes do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo (Idaf) e do Fundo Emergencial de Promoção da Saúde Animal do Estado (Fepsa-ES). Neuzedino Assis, presidente do Fepsa, destacou a importância do engajamento das entidades do setor produtivo ao longo dos anos para o sucesso das ações que levaram à certificação.
Assis expressou seu orgulho por ter acompanhado de perto a trajetória que culminou nessa conquista significativa, ressaltando a colaboração entre o setor público e privado. O Fepsa foi criado em 1998 para promover ações eficazes na defesa contra a febre aftosa, inicialmente sob a liderança da Federação da Agricultura e Pecuária (Faes), com Nyder Barbosa de Menezes e, posteriormente, Julio da Silva Rocha Junior à frente da gestão. Hoje, a entidade representa um conjunto de organizações, incluindo o Senar-ES e diversas associações e sindicatos do setor agropecuário.
Além do reconhecimento pelo controle da febre aftosa, o Fepsa também implementou um novo regulamento para indenizações por doenças que afetam criadores de aves, suínos, ovinos, bovinos e bubalinos. Essa medida visa dar suporte aos produtores em caso de eventualidades com seus rebanhos.
A trajetória de combate à febre aftosa no Espírito Santo é marcada por várias etapas importantes:
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1971: Formou-se o Grupo Executivo de Combate à Febre Aftosa (Gecofa) em localidades como Montanha, Mucurici e Pinheiros.
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1974: Criação da Empresa Espírito Santense de Pecuária (Emespe).
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1992: Lançamento do Plano Nacional de Erradicação da Febre Aftosa (PNEFA), envolvendo o setor produtivo nas campanhas de vacinação.
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1996: Registro do último foco de febre aftosa no estado e estruturação do Idaf.
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1998: Estabelecimento do Fepsa, seguindo diretrizes da antiga Organização Internacional das Epizootias.
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2001: O Espírito Santo é reconhecido como estado livre de aftosa com vacinação, o que possibilita o início das exportações de carne bovina para a União Europeia.
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2006: O Brasil é declarado país livre de aftosa com vacinação.
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2023: Encerramento da campanha de vacinação contra a febre aftosa no Espírito Santo.
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2025: O reconhecimento internacional como livre de febre aftosa sem vacinação abre novas oportunidades de exportação para a carne capixaba, além da regulamentação para indenizações em casos de doenças no rebanho.
Esse reconhecimento representa um passo importante para melhorar a competitividade e a qualidade da produção pecuária no estado, além de fortalecer a segurança alimentar e sanitária.
