Discussão sobre investimento em cultura hip-hop no Brasil
A jornalista Barbara Gancia expressou sua insatisfação em relação a um artigo publicado no The New York Times, que informava que o governo brasileiro estava destinando recursos públicos para promover a cultura hip-hop entre jovens de periferias. Esse assunto surgiu paralelamente à visita do ministro da Cultura, Gilberto Gil, a Austin, no Texas, onde ele discutiu cultura digital.
Gancia destacou que, ao invés de analisar o programa em si, sua crítica se concentrava no uso de dinheiro público para formas de arte como grafite, rap e funk. Ela fez uma pergunta direta e provocadora: “Desde quando hip-hop, rap e funk são cultura?”. Em sua coluna, publicada em 2007, ela questionou a lógica de investir em gêneros que considera menores, sugerindo que se é aceitável financiar esses estilos, por que não incluir outros, como axé ou até mesmo danças populares?
Na matéria do The New York Times, o correspondente Larry Rohter relatou que os recursos governamentais, que somam cerca de 60 mil dólares, são destinados a grupos comunitários nas periferias com o intuito de fomentar a criatividade local. O texto menciona que Gil, por ter enfrentado dificuldades no início da carreira, se identificaria com essas manifestações artísticas.
Gancia, em um comentário na rádio BandNews FM, disse que sua crítica ao que chamou de “lixo musical”, atribuído a muitos exemplos de hip-hop e funk, gerou uma avalanche de reações negativas, com várias pessoas a acusando de racista e fascista. A jornalista questionou a diferença de tratamento entre sua crítica ao hip-hop e uma possível crítica à música sertaneja, destacando o que considera um duplo padrão.
Ela ainda mencionou que, em sua experiência no programa de esportes “Dois na Bola”, ficou surpresa ao descobrir que muitos artistas de hip-hop que passaram pelo programa tinham ligações com o tráfico de drogas. Para ela, pode ser mais benéfico oferecer educação com clássicos da literatura brasileira, como os de Machado de Assis ou Guimarães Rosa, ao invés de impulsionar o aprendizado de culturas que, segundo sua perspectiva, não refletem uma contribuição positiva à sociedade.
A discussão sobre o uso de verba pública para promover diferentes estilos musicais continua a ser um tema polêmico e provoca debates sobre o que é considerado cultura e como os recursos do governo devem ser aplicados na promoção cultural.
