Em 1990, a Rede Globo enfrentou um grande desafio com o sucesso avassalador da novela “Pantanal”, exibida pela Manchete. Para tentar conter essa concorrência, a emissora decidiu lançar uma novela de urgência chamada “Araponga”, que estreou em outubro, com o objetivo de reverter a situação antes que “Pantanal” chegasse ao fim em dezembro.

    Embora “Pantanal” não estivesse no mesmo horário que “Rainha da Sucata”, a novela rural da Manchete conseguiu uma popularidade que forçou a Globo a mudar sua programação. Em resposta, a emissora aumentou a duração dos capítulos de “Rainha da Sucata” e começou a veicular chamadas durante os intervalos, anunciando o que ainda estava por vir, uma estratégia inédita na época.

    Além disso, a Globo eliminou as tradicionais “cenas do próximo capítulo”, fazendo a narrativa emendar diretamente na atração seguinte, para manter os telespectadores grudados na tela.

    “Araponga”, com humor como seu principal atrativo, contava a história de Aristênio Catanduva, um policial federal interpretado por Tarcísio Meira. O personagem era uma paródia dos filmes de espionagem e tinha como missão reativar o extinto Serviço Nacional de Informações (SNI). Ele exagerava em seus relatos de investigações, criando situações hilárias e inusitadas. O enredo central girava em torno da misteriosa morte do senador Petrônio Paranhos, onde incertezas e mentiras permeavam a história.

    O protagonista, além de peculiaridades, como colecionar calcinhas, tinha dificuldades em manter relacionamentos, resultando em problemas no seu casamento com Jurema. A história, escrita por Dias Gomes com Lauro César Muniz e Ferreira Gullar, tinha ainda no elenco a presença da modelo Luiza Brunet, que fazia sua estreia como atriz.

    A competição entre “Araponga” e “Pantanal” durou apenas dois meses. Enquanto “Pantanal” se solidificou como um marco na televisão brasileira, “Araponga” não conseguiu conquistar o público e nunca foi reprisada, caindo no esquecimento após o término de sua exibição.

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