No último domingo, durante a grande feira do setor varejista em Nova Iorque, o CEO do Google, Sundar Pichai, apresentou o Protocolo de Comércio Universal, conhecido como UCP. Trata-se de um padrão aberto que permite que agentes de inteligência artificial, como o ChatGPT e o Claude, acessem catálogos de produtos, verifiquem a disponibilidade em tempo real e realizem transações de forma integrada.
Para explicar isso melhor, Vidhya Srinivasan, vice-presidente e gerente geral de Google Ads e Comércio, deu uma visão sobre como funciona a jornada de compra. “Pensa só em todas as etapas que você passa ao comprar algo. Para o sistema funcionar, tudo precisa se comunicar e agir em seu nome”, disse Srinivasan.
O UCP serve justamente como uma língua comum entre os sistemas de atendimento ao consumidor e a parte comercial das empresas. Essa conexão facilita que os dois operem juntos sem complicações.
Esse protocolo foi desenvolvido em parceria com empresas como Shopify, Etsy, Wayfair, Target e Walmart. No total, mais de 20 empresas, incluindo Home Depot, Best Buy, Macy’s, Mastercard, Visa e PayPal, já demonstraram apoio ao UCP. Ele também é compatível com padrões da indústria como A2A, MCP e o protocolo de pagamentos da Google, conhecido como AP2.
Srinivasan destacou a importância de ter um jeito padronizado de fazer as coisas, para que todos os envolvidos possam se preparar para cada etapa da compra. “As empresas podem escolher o que querem usar, proporcionando flexibilidade”, explicou.
Os analistas de varejo projetam que, até 2026, um quarto dos consumidores vai utilizar chatbots com inteligência artificial e que o mercado de comércio com assistentes pode atingir entre 3 e 5 trilhões de dólares até 2030.
O UCP irá impulsionar uma nova funcionalidade de checkout no modo de inteligência artificial do Google. Isso vai permitir que os usuários completem suas compras sem sair da conversa. Nesse sistema inicial, é usado o Google Pay com detalhes de pagamento e entrega já salvos, com suporte do PayPal previsto para o futuro. As lojas vão continuar sendo as responsáveis pelas vendas, podendo personalizar ofertas, cadastrar clientes em programas de fidelidade e sugerir produtos relacionados.
Além disso, o Google trouxe o recurso Business Agent, que cria assistentes de vendas virtuais com a marca da empresa nos resultados de busca do Google. Lowe’s, Michaels, Poshmark e Reebok foram algumas das primeiras empresas a adotarem essa novidade.
“Isso atende ao novo comportamento dos consumidores, que estão cada vez mais engajados em compras conversacionais”, comentou Srinivasan. “Queremos que as lojas consigam se conectar com os usuários utilizando a própria voz delas.”
Em dezembro de 2025, o Google processou mais de 90 trilhões de tokens, um crescimento de 11 vezes em relação ao mesmo período do ano anterior, quando foram 8,3 trilhões. Com isso, o Shopping Graph já contém mais de 50 bilhões de listagens de produtos, com mais de 2 bilhões atualizadas a cada hora.
O anúncio dessa novidade coloca o Google em competição direta com a Amazon, que já tem testado capacidades similares de compras usando inteligência artificial pela Alexa, e com a Microsoft, que recentemente lançou o recurso Copilot Checkout.
Apesar dessa evolução tecnológica, a aceitação dos consumidores ainda está um pouco atrás. Um estudo da ChannelEngine revelou que apenas 17% dos shoppers se sentem confortáveis deixando a inteligência artificial concluir uma compra, mesmo que muitos já utilizem AI para pesquisar produtos.
A pergunta que fica é se os varejistas vão abraçar mais um protocolo em um cenário de e-commerce já fragmentado, ou se a escala e o alcance do Google farão do UCP o padrão que finalmente vai se firmar no mercado. Por enquanto, o apoio de gigantes como Walmart e Shopify, além de grandes processadores de pagamentos, sugere que esta iniciativa pode ser diferente das anteriores.
Agora, o Google também está transformando o Gemini em um assistente multitarefa de verdade para o Android. As novas versões de teste do sistema permitem que o Gemini continue rodando em segundo plano, sinalizando uma mudança para a inteligência artificial que trabalha ao lado de aplicativos, sem interrompê-los.
Essas inovações trazem à tona um novo cenário para o comércio eletrônico, e é fundamental que consumidores e comerciantes acompanhem as mudanças. Isso pode mudar a maneira como as compras são feitas no futuro, tornando tudo mais ágil e interativo. Com a evolução da tecnologia, fica evidente que a relação entre consumidores e varejistas está se transformando. E é bom ficar ligado nas novidades que vêm por aí!
