O Ministério da Justiça avalia que brinquedos que usam inteligência artificial, conhecidos como smart toys, estão descumprindo as normas do ECA Digital. O estatuto estabelece regras para a privacidade e proteção online de crianças e adolescentes.

    A pasta identificou, em análise preliminar, indícios de irregularidade na venda desses brinquedos no Brasil. O órgão alertou para a responsabilidade solidária dos marketplaces que comercializam esses produtos.

    Segundo o ministério, os smart toys fazem coleta excessiva e contínua de dados, incluindo biometria facial e vocal. Isso abre brecha para o uso dos produtos como instrumentos de espionagem. A prática fere o princípio de “privacidade por padrão” do ECA Digital, que determina o uso mínimo possível de dados.

    Entre os riscos apontados estão a manipulação emocional, a falta de transparência sobre o funcionamento automatizado dos produtos e o perfilamento comportamental. Neste último caso, dados sobre a personalidade são processados para direcionar publicidade a menores de 18 anos. A informação foi publicada pelo jornal O Estado de S.Paulo.

    Os brinquedos Loona e o EMO, robôs-pet, estão entre os dispositivos que podem ter irregularidades, de acordo com o relatório. Esses produtos fazem captação contínua de biometria facial, vocal e mapeamento do ambiente doméstico. O robô Miko 3 e o tablet Amazon Fire HD 10 Kids Pro estariam mapeando perfis comportamentais individualizados de crianças. Os robôs-pet Vector e Aibi são suspeitos de gerar dependência emocional e psicológica.

    As plataformas que vendem esses brinquedos podem ser responsabilizadas de forma solidária por não garantirem que o produto obedece às regras de segurança e transparência. Os brinquedos podem ser enquadrados como defeituosos pelo Código de Defesa do Consumidor, por não oferecerem a segurança necessária. O relatório cita Amazon, Mercado Livre, Shopee, Ali Express, Magazine Luiza, eBay e Casas Bahia entre as plataformas que vendem os produtos. Procuradas, as empresas não responderam à reportagem.

    Os técnicos recomendam que a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) verifique se as empresas estrangeiras, tanto as que produzem quanto as que vendem os brinquedos, têm representação legal no Brasil. A Senacon também deve verificar se os smart toys têm mecanismos de proteção adequados para crianças e se as embalagens e páginas no marketplace contam com o aviso obrigatório de acesso à internet e necessidade de supervisão parental.

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    Nilson Tales

    Formado em Engenharia de Alimentos pela UEFS, Nilson Tales trabalhou durante 25 anos na indústria de alimentos, mais especificamente em laticínios. Depois de 30 anos, decidiu dedicar-se ao seu livro, que está para ser lançado, sobre as Táticas Indústrias de grandes empresas. Encara como hobby a escrita dos artigos no Universo NEO e vê como uma oportunidade de se aproximar da nova geração.