A relação entre saúde mental e finanças tem se mostrado cada vez mais preocupante no Brasil. Uma pesquisa recente realizada com 1.400 trabalhadores que possuem carteira assinada revelou que 66% destes profissionais sentem que suas dificuldades financeiras impactam diretamente sua saúde mental, resultando em estresse, ansiedade e problemas de sono.

    O levantamento foi divulgado durante o “Janeiro Branco”, uma campanha nacional que busca conscientizar as pessoas sobre a importância da saúde mental. Os dados destacam como fatores emocionais, sociais e até mesmo geracionais afetam o modo como os brasileiros lidam com suas finanças. Esses aspectos não apenas influenciam o bem-estar, mas também têm um reflexo claro na produtividade no trabalho.

    Entre os entrevistados, metade relatou sentir ansiedade constante por conta das dívidas. Além disso, 38% indicaram que não conseguem dormir bem e 33% confessaram sentir vergonha de sua situação financeira. Para Guilherme Casagrande, educador financeiro, o dinheiro hoje é visto como um indicador de segurança, poder e pertencimento, e não apenas uma questão de planejamento.

    Segundo Casagrande, a gestão das finanças pessoais exige muito mais do que conhecimento em matemática; é preciso considerar as emoções e as pressões sociais que moldam as escolhas de cada um. No ambiente de trabalho, a situação é similar: 64% dos entrevistados afirmaram ter dificuldades para cumprir horários ou manter o desempenho devido ao desânimo gerado por problemas financeiros. Por outro lado, 71% notaram que se sentem mais produtivos quando suas contas estão em dia.

    A ansiedade financeira é uma questão que atinge todas as idades. Os jovens, em particular, enfrentam a pressão da comparação social, especialmente nas redes sociais, onde a busca por aceitação pode superar o foco em objetivos de carreira ou estudo. Essa busca por recompensas rápidas pode levar a comportamentos compulsivos, como gastos excessivos.

    Outro aspecto relevante é a chamada “geração sanduíche”, que engloba pessoas que sustentam tanto os filhos quanto os pais ou avós. Essa preocupação com a família amplia a pressão financeira e afeta diretamente a saúde mental. A falta de aposentadorias suficientes e o aumento dos custos de saúde também influenciam a renda das famílias.

    Diante desse cenário, a pesquisa aponta para uma crescente necessidade de educação financeira. De maneira significativa, 73% dos participantes acreditam que essa educação é essencial para uma melhor gestão do próprio dinheiro. Além disso, 92% afirmam que as empresas deveriam oferecer esse tipo de educação como um benefício, mas apenas 30% dos entrevistados tiveram acesso ao tema no ambiente de trabalho atual.

    Em resumo, a interseção entre finanças e saúde mental é um tema que merece atenção, especialmente por seu impacto no cotidiano e na produtividade do trabalhador brasileiro.

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