Tensões entre Israel e Irã aumentam em meio a possíveis ações dos EUA

    As autoridades israelenses estão atentas a possíveis ações do governo dos Estados Unidos contra o Irã. Segundo a imprensa de Israel, a expectativa já não é se o presidente dos EUA, Donald Trump, tomará uma medida, mas sim quando e quão intensa será essa ação. Israel e EUA costumam compartilhar informações, e as autoridades israelenses devem ser informadas com horas de antecedência caso uma ação americana seja confirmada.

    Uma fonte do alto escalão israelense, que não quis se identificar, comentou que a resposta do Irã poderá variar dependendo da magnitude do ataque. Se a ação for localizada, pode ser que o Irã não reaja. No entanto, um ataque mais abrangente provavelmente levaria o regime iraniano a retaliar, inclusive visando Israel diretamente.

    O Irã também teria como alvo embaixadas e instituições judaicas no exterior. Effie Defrin, porta-voz do Exército de Israel, afirmou que não há intenção de atacar o Irã e que os problemas internos do país são de responsabilidade de seu governo.

    O chefe do Estado-Maior de Israel, Eyal Zamir, participou de reuniões sobre a situação atual no Irã. Funcionários iranianos têm reiterado a possível retaliação a Israel caso haja uma ação dos EUA.

    Diante dessa incerteza, o Ministério da Saúde de Israel enviou orientações para os hospitais sobre como atuar em situações de emergência, incluindo a transferência de pacientes para áreas protegidas. Um representante do Hospital Sheba, o maior de Israel, confirmou que as rotinas estão normais até o momento e que a instituição está sempre pronta para emergências.

    Solidariedade aos manifestantes iranianos

    Enquanto isso, no Irã, o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, usou sua conta na plataforma X para responsabilizar Israel pelas manifestações e pela violência que resultou em numerosas mortes. Araghchi alegou que Israel armou manifestantes sem apresentar provas.

    Em resposta, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, pediu que os membros do governo evitassem apoiar publicamente os protestos, a fim de não alimentar a narrativa iraniana de interferência externa.

    Uma jovem iraniana, que preferiu não ser identificada, comentou o sofrimento da população com questões como falta de água e apagões, afirmando que a culpa recai sobre a corrupção e a má gestão do regime iraniano.

    Na noite de quarta-feira, cerca de 500 pessoas realizaram um ato em Holon, em Israel, demonstrando solidariedade aos manifestantes iranianos. A atriz Sogand Fakheri, que deixou o Irã em busca de melhores condições, destacou a brutalidade do regime iraniano contra mulheres e manifestantes.

    Estatísticas de vítimas variam, com grupos de direitos humanos estimando que a violência no Irã já resultou em milhares de mortes. O número exato continua sendo tema de debate na imprensa e entre autoridades.

    Negociações para a Faixa de Gaza

    Em outro cenário, o enviado americano para o conflito em Gaza, Steve Witkoff, anunciou uma nova fase nas negociações para a paz. O plano, que possui 20 pontos, envolve a desmilitarização da região, o desarmamento do Hamas, a formação de um governo tecnocrático e a reconstrução da Faixa de Gaza.

    Quinze palestinos foram selecionados para formar um comitê que irá governar a área em substituição ao Hamas. Entre eles está Ali Shaath, que já teve posições de destaque na Autoridade Palestina. O comitê será responsável por coordenar serviços públicos e sociais e poderá trabalhar com agências internacionais.

    Embora os detalhes de uma nova fase de acordos estejam sendo discutidos, familiares de Ran Gvili, um refém israelense cujo corpo ainda se encontra na Faixa de Gaza, expressam indignação e pedem ações efetivas. Netanyahu se reuniu com os pais de Gvili, reforçando a exigência de que o Hamas cumpra os termos do acordo para o retorno de todos os reféns.

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