Janeiro é conhecido como o mês de atenção à saúde mental, um tema que ganha relevância especialmente no início do ano. É um momento oportuno para refletir sobre a importância da saúde, não apenas a física, mas também a mental, que é essencial para a qualidade de vida.
A psiquiatria, assim como as demais especialidades médicas, precisa seguir os princípios da medicina, que envolvem o cuidado e o tratamento das pessoas que precisam de apoio. Esse cuidado é motivado pelo compromisso ético dos médicos, que dedicam suas carreiras a ajudar os pacientes. Desde 2001, a Lei 10.216 garante que os psiquiatras trabalhem para oferecer o melhor atendimento aos seus pacientes. Com essa lei, médicos podem formular diagnósticos baseados no estado clínico de cada indivíduo e desenvolver tratamentos adequados.
Apesar dos avanços na psiquiatria, existe uma carência na abordagem preventiva, que ainda é pouco explorada em comparação com outras áreas da medicina, como a cardiologia e a ginecologia. A realização de check-ups psiquiátricos regulares poderia ajudar a identificar problemas antes que se tornem mais sérios. A assistência ambulatorial é a prioridade, e globalmente, muitos pacientes são atendidos dessa forma. Contudo, existem situações em que a internação é necessária, especialmente se houver risco para o paciente ou pessoas ao seu redor.
Com o desenvolvimento de novos tratamentos desde a década de 1950, a necessidade de internações hospitalares em psiquiatria diminuiu, mas ainda existem casos onde isso se faz indispensável. Nos últimos anos, movimentos sociais que defendem os direitos dos pacientes psiquiátricos resultaram no fechamento de muitos leitos de internação, o que acabou prejudicando a assistência a diversos pacientes. Estima-se que, devido a essas mudanças, muitos indivíduos que precisam de tratamento acabaram em situações vulneráveis.
Uma portaria de 2015 estipula uma proporção de leitos psiquiátricos que não é suficiente. Ela determina um leito para cada 23.000 habitantes, o que resulta em apenas 0,04 leitos para cada 1.000 pessoas, um índice bastante inferior ao recomendado pelo Conselho Federal de Medicina. Em Campo Grande, a cidade precisa de pelo menos 450 leitos, mas atualmente há menos de 100 disponíveis.
Os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) desempenham um papel importante ao fornecer suporte ambulatorial, mas esses serviços não substituem a necessidade de internação quando é necessário um tratamento mais intensivo. O Conselho Federal de Medicina alerta para a baixa quantidade de leitos disponíveis no país e compara a situação ao que ocorre em países como Inglaterra e Canadá, onde a disponibilidade de leitos psiquiátricos é muito maior.
É fundamental que a discussão sobre a quantidade de leitos psiquiátricos e o fornecimento de um tratamento adequado siga em pauta. A humanização do atendimento deve ser uma prioridade, assegurando que cada paciente tenha acesso ao cuidado necessário. Com condições adequadas, os profissionais da saúde podem exercer sua profissão de acordo com o compromisso ético que fizeram. Isso beneficiaria não apenas os pacientes, mas também a saúde mental da população como um todo.
