Janeiro Branco: Uma Campanha Que Fala Sobre Saúde Mental na Terceira Idade
O mês de janeiro é marcado pela campanha Janeiro Branco, um movimento voltado para a conscientização sobre a saúde mental e emocional. Neste ano, a campanha ganha um foco especial ao abordar a depressão entre pessoas com 60 anos ou mais, um problema que frequentemente passa despercebido no Brasil.
O país está envelhecendo rapidamente, e discutir a saúde mental nessa fase da vida deixou de ser apenas uma questão individual para se tornar uma importante questão de saúde pública. Essa condição impacta não apenas os idosos, mas também suas famílias, comunidades e o sistema de assistência à saúde.
Origem da Campanha
Criado em 2014, o Janeiro Branco tem como objetivo centralizar a saúde mental nas conversas públicas de forma acessível e responsável. O psicólogo Leonardo Abrahão, um dos criadores da campanha, ressalta que o sofrimento psíquico deve ser visto como uma questão coletiva, que afeta diversas áreas da vida social, incluindo famílias, escolas e locais de trabalho.
Agosto é simbolizado pela cor branca, que representa um convite à reflexão e novas escolhas. De acordo com Abrahão, essa cor sugere a ideia de uma folha em branco, sempre disponível para recomeços e novas prioridades.
Dados sobre a Depressão entre Idosos
Estatísticas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que a depressão entre a população brasileira aumentou significativamente. Em 2019, cerca de 10,2% dos adultos, o que corresponde a aproximadamente 16,3 milhões de pessoas, relataram ter sido diagnosticados com depressão. Entre as pessoas de 60 a 64 anos, a taxa de diagnósticos chegou a 13,2%. Esse cenário é preocupante, pois a saúde mental na velhice muitas vezes é ignorada, levando ao que se chama de invisibilidade do sofrimento emocional.
Em 2022, um relatório do governo federal sobre saúde mental confirmou que os idosos apresentam uma maior prevalência de condições como a depressão, além de um aumento significativo nos sintomas de sofrimento psíquico à medida que envelhecem.
A Importância de Reconhecer o Problema
Reconhecer a depressão em idosos pode ser desafiador. A psicóloga Denise Milk explica que, na terceira idade, a depressão se manifesta de formas diferentes do que em adultos mais jovens. Muitas vezes, não há manifestações claras de tristeza, mas sim mudanças comportamentais, cognitivas e físicas, como apatia, irritabilidade, alteração no sono e queixas de dor física sem explicação médica.
Abrahão confirma que esperar a “cara clássica” da depressão é um erro comum. O desânimo persistente, o isolamento e a falta de interesse pelas atividades do dia a dia podem ser sinais que não devem ser ignorados.
Fatores Estressores
O envelhecimento, muitas vezes, traz várias transições que podem impactar a saúde mental, como a perda de entes queridos, aposentadoria e a diminuição da rede social. Esses fatores exigem um processo de reorganização da identidade e, caso não sejam cuidados devidamente, aumentam o risco de depressão.
Abrahão também menciona que solidão e a sensação de inutilidade social são gatilhos frequentes para a depressão, mas não podem ser considerados como fatores determinantes. Ele afirma que, apesar das dificuldades, a tristeza não deve ser confundida com depressão, que é uma condição contínua.
Estigmas e Barreiras
Um dos principais obstáculos para o tratamento da saúde mental em idosos é o estigma. Muitos cresceram em contextos onde o sofrimento emocional era visto como uma fraqueza. Dessa maneira, uma percepção equivocada prevalece, levando as pessoas a acreditarem que estão apenas “envelhecendo”.
Isso dificulta a busca por ajuda, reforçando o isolamento e o sofrimento. Abrahão enfatiza que a saúde mental, como qualquer outra condição médica, merece atenção e cuidado.
O Papel da Família
Famílias e cuidadores desempenham um papel crucial na identificação dos sinais de depressão. Mudanças persistentes no comportamento, como isolamento e perda de interesse, devem ser sinais de alerta. Conversas simples e respeitosas podem ajudar a aumentar o vínculo e criar um espaço seguro para expressar sentimentos.
Mensagem Importante
A principal mensagem da campanha Janeiro Branco é que a depressão não é fraqueza e não é uma fase da vida. É fundamental que os idosos busquem apoio e que suas famílias se mantenham próximas, apoiando os processos de cuidado.
Abrahão conclui dizendo que ninguém deve sofrer em silêncio. Falar sobre os sentimentos, ouvir e oferecer suporte são ações que podem transformar vidas. Cuidar da saúde mental dos idosos é um reflexo do tipo de sociedade que desejamos ser, marcada pela empatia, inclusão e respeito.
Como a Família Pode Ajudar
Aqui estão algumas dicas úteis para familiares que desejam ajudar um idoso com sinais de depressão:
- Observe mudanças de comportamento: fique atento ao isolamento, apatia ou irritabilidade.
- Não minimize a dor: evite falas como “isso é da idade”, que podem silenciar o sofrimento.
- Abra espaço para diálogo: escute sem julgamentos, isso estreita laços.
- Estimule a busca por ajuda profissional: a psicoterapia é eficaz em qualquer idade.
- Fortaleça vínculos sociais: envolva o idoso em atividades familiares e comunitárias.
- Acompanhe o tratamento: ajude com consultas e adesão ao tratamento.
- Cuide também de quem cuida: o bem-estar do cuidador também é essencial.
Essas atitudes ajudam não apenas a melhorar a saúde mental dos idosos, mas também a fortalecer os laços familiares e sociais.
