Janeiro Branco: Mês de Conscientização sobre Saúde Mental
O Janeiro Branco é uma campanha nacional que busca promover a saúde mental e conscientizar a população sobre a importância do bem-estar psicológico. A iniciativa pretende incentivar as pessoas a buscarem cuidados especializados quando necessário. Atualmente, o Brasil enfrenta um grande desafio nessa área: cerca de 9,3% da população sofre com transtornos de ansiedade, o que representa aproximadamente 18 milhões de pessoas.
Além disso, a depressão se tornou uma preocupação crescente, especialmente após a pandemia de Covid-19, que gerou um aumento de 25% nos casos de transtornos mentais no país, conforme dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Nesse contexto acelerado e tumultuado, a campanha traz à tona a necessidade de se falar sobre paz e equilíbrio emocional.
O Janeiro Branco foi criado em 2014 pelo psicólogo Leonardo Abrahão, que também preside o Instituto de Desenvolvimento Humano Janeiro Branco (IDHJB). Para 2026, a campanha trará o tema “Paz. Equilíbrio. Saúde Mental”, defendendo que essa é uma convocação para a sociedade, não apenas um conjunto de palavras motivacionais.
Abrahão destaca que a atual situação é crítica, mas também revela que a sociedade está mais consciente e aberta a discutir o tema. Embora o silêncio sobre problemas de saúde mental tenha diminuído, ele alerta que o país ainda precisa avançar nas condições que podem causar adoecimento mental. Existe uma necessidade urgente de mudança nas estruturas que afetam o bem-estar da população.
O psicólogo também aponta que muitos tabus ainda cercam a saúde mental. Existe a crença equivocada de que o sofrimento emocional é sinal de fraqueza ou falta de esforço. Falar sobre saúde mental ainda gera medo e julgamentos, especialmente em ambientes familiares, escolares e de trabalho. A campanha Janeiro Branco tem como objetivo combater esses tabus e ampliar a compreensão de que cuidar da saúde mental é parte essencial da vida.
Desafios para uma Boa Saúde Mental
Fatores como desigualdade social, insegurança financeira, jornadas de trabalho exaustivas, violências, solidão e a falta de políticas públicas adequadas afetam negativamente a saúde mental. Alterações persistentes no sono, humor, apetite, concentração e capacidade de sentir prazer são sinais de alerta que não devem ser ignorados.
Cuidar da saúde mental envolve ações em três frentes: autocuidado, responsabilidade das instituições e políticas públicas eficazes. Abrahão recomenda que as pessoas busquem ajuda, fortaleçam vínculos afetivos e se preocupem com a humanização nas relações de trabalho. A saúde mental deve ser vista como uma responsabilidade coletiva e não apenas uma questão individual.
Situação em Goiás
Em Goiás, a Rede de Atenção Psicossocial tem apresentado crescimento, mas de forma desigual, com algumas regiões ainda tendo pouco acesso e cobertura bem abaixo da média nacional. Isso revela a urgência de se investir em políticas públicas para fortalecer o suporte psicossocial.
Segundo Abrahão, é necessário ampliar os atendimentos nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), melhorar o acesso, integrar serviços e investir na prevenção e promoção ao longo do ano, especialmente para crianças e adolescentes. A saúde mental deve ser tratada de maneira transversal, envolvendo áreas como educação, trabalho, segurança e assistência social.
A campanha Janeiro Branco visa, portanto, fortalecer essa consciência coletiva de que a saúde mental é uma construção social contínua. É fundamental que a sociedade compreenda que cuidar da saúde mental é uma tarefa que envolve todos.
