O mercado de smartphones na China teve uma leve queda em 2025, registrando uma baixa de 0,8% em relação ao ano anterior. Esse cenário foi influenciado por um aumento nos custos de memória e pela cautela dos consumidores, que reduziu a demanda.
Marcas como Vivo e Huawei enfrentaram queda nas remessas, devido à pressão de custos e à diminuição nas vendas de modelos mais acessíveis. Por outro lado, a Apple teve um bom desempenho no último trimestre do ano, com vendas fortes do iPhone 17.
Apesar da concorrência acirrada, Huawei terminou 2025 como a marca líder, o que mostra a importância de ter uma marca forte e produtos de qualidade em um mercado que está amadurecendo. O que parece uma contradição, na verdade, revela mudanças no mercado.
Após anos de crescimento acelerado, a indústria de smartphones da China entrou em uma fase onde nem todos os players se beneficiam da mesma forma. A penetração de dispositivos é alta, e os ciclos de substituição estão mais longos. Atualizações pequenas já não geram uma demanda em massa.
Os dados mostram claramente esse desvio. Em 2024, as remessas cresceram 5,6%, mas em 2025 houve uma queda de 0,8%. Isso indica que não estamos diante de uma diminuição temporária, mas sim de uma desaceleração estrutural.
Estima-se que as remessas totais tenham alcançado cerca de 285 milhões de unidades em 2025, levemente abaixo do ano anterior. O começo do ano teve apoio devido ao Ano Novo Lunar e subsídios do governo, mas esse impulso diminuiu conforme os subsídios foram reduzidos e a confiança do consumidor caiu.
O aumento nos preços das memórias acentuou a desaceleração. Isso elevou os custos de produção e fez com que as fabricantes de equipamentos originais (OEMs) reconsiderassem preços e margens. Com os custos em alta, tornar-se competitivo apenas pelo volume se tornou impraticável.
A Vivo, que era a líder de mercado em 2024 com 17,2% de participação, viu suas remessas caírem 6,6% em 2025, levando sua participação a 16,2%. A Huawei também teve um recuo, com vendas caindo 1,9% na comparação anual. Esses números refletem as mesmas dificuldades: aumento de custos e uma percepção mais cautelosa dos consumidores.
Para proteger a lucratividade, as fabricantes, incluindo Vivo e Huawei, diminuíram as remessas de modelos de baixo custo. Esses aparelhos geralmente geram volume, mas oferecem margens baixas, e em um cenário de custos em alta, tornaram-se um problema.
Essa mudança não é apenas uma desaceleração, mas também um processo de filtragem. Conforme os custos subiram, as estratégias voltadas para o volume foram as primeiras a sofrer.
O bom desempenho da Apple no final do ano deixa claro essa mudança no mercado. No quarto trimestre de 2025, a Apple viu suas remessas na China crescerem cerca de 21,5%, totalizando aproximadamente 16 milhões de unidades, com uma participação de mercado de 21,1%. A forte demanda pelo iPhone 17 levou a Apple ao topo, mesmo com a queda nas vendas no geral.
Este crescimento não foi somente um ciclo de produto positivo; foi um sinal do que ainda tem demanda. Em um mercado saturado, quem ainda está atualizando seus aparelhos tende a dar mais importância à durabilidade e ao valor de revenda, favorecendo marcas premium, mesmo com a redução nas vendas.
Ao final de 2025, a Apple dividiu a liderança de participação de mercado total com a Vivo, ambas com 16,2%. No trimestre final, a Apple teve o crescimento mais rápido entre os cinco maiores concorrentes. O importante aqui é perceber que a Apple não está imune à desaceleração do mercado, mas que a demanda premium tende a comprimir-se quando o crescimento desaparece.
Apesar da ascensão da Apple, a Huawei manteve sua posição de liderança no mercado. Seu sucesso não foi apenas uma questão de onde terminou, mas de como conseguiu essa conquista.
A Huawei teve vantagens em sua estratégia, realizando ajustes de preços e focando em produtos de gama média e alta, além de contar com subsídios que impulsionaram as vendas. Mais importante ainda, sua linha de produtos estava bem alinhada com as crescentes pressões de custo.
A força da Huawei em dispositivos premium ajudou a compensar a fraqueza do mercado em geral. Enquanto as marcas mais voltadas para o orçamento enfrentaram dificuldades, a Huawei conseguiu manter sua demanda mesmo com preços mais altos. Assim, a Huawei triunfou ao se manter relevante em um cenário desafiador.
Especialistas apontam que a força da marca foi uma chave para a resiliência tanto da Huawei quanto da Apple. Com os preços subindo, os consumidores começaram a optar por marcas premium que já conheciam e confiavam.
O que isso significa para o mercado de smartphones na China em 2026? O setor está claramente em uma fase de maturidade. Com os preços das memórias em alta, consumidores cautelosos e subsídios limitados, o crescimento baseado em volume provavelmente não deve se repetir.
Se os custos dos componentes continuarem subindo em 2026, as OEMs devem enfrentar escolhas difíceis. Para proteger suas margens, elas poderão precisar aceitar volumes menores de remessas, e buscar produtos acessíveis pode acabar prejudicando a lucratividade.
Uma mudança maior já está em curso. O mercado chinês de smartphones não é mais definido pela velocidade de crescimento, mas pela forma como a demanda se concentra quando o crescimento não existe mais. Nesse contexto, o poder da marca e a posição premium se tornam mais importantes do que nunca.
