Aumento de Casos de Síndrome Respiratória em Goiás em 2025
Em 2025, Goiás registrou 12.047 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Esse número representa um aumento de 61% em relação ao ano anterior, quando foram contabilizados 7.476 casos. A SRAG é uma forma grave de gripe que costuma exigir internações hospitalares, muitas vezes em Unidades de Terapia Intensiva (UTI), e também resultou em um significativo número de óbitos. Em 2024, foram 825 mortes, enquanto em 2025 esse número subiu para 874, uma elevação de quase 6%. Quando analisadas apenas as mortes por Influenza, o crescimento foi ainda maior, de 78%.
Os especialistas alertam que muitos desses casos e mortes poderiam ser evitados com a vacinação. No entanto, a cobertura vacinal tem sido preocupante. Somente 1,62% da população com menos de 2 anos foi vacinada contra a Covid-19 em 2025, um número ligeiramente inferior ao de 2024, que foi de 1,53%. A vacinação contra a gripe Influenza teve uma cobertura maior, alcançando 50,43%, mas isso ainda está longe dos índices de 95% vistos antes da pandemia.
Outro ponto preocupante é a circulação da cepa H3N2 do vírus, que provocou um aumento significativo de casos nos Estados Unidos, com mais de 15 milhões de infectados e 7.400 mortos desde dezembro. Na Europa, a Organização Mundial de Saúde (OMS) emitiu um alerta global sobre a situação. No Brasil, o primeiro caso da gripe K foi confirmado em dezembro.
Flúvia Amorim, subsecretária de Vigilância em Saúde da Secretaria Estadual de Saúde de Goiás, mostrou preocupação com a possibilidade de aumento dos casos de SRAG em 2026. Segundo ela, a sazonalidade da gripe tem começado cada vez mais cedo, e agora já se observa um aumento em fevereiro e março, coincidindo com o aumento de casos de dengue.
A subsecretária destacou que no ano passado a maior parte dos casos graves de SRAG foi provocada pelo vírus Influenza, e não pela Covid-19, diferentemente do que ocorreu durante os picos mais graves da pandemia. Ela alertou que a maioria dos casos poderia ter sido evitada com a vacinação. Mesmo nos casos em que a vacina não previne a gripe, ela é eficaz em evitar hospitalizações graves.
Flúvia também mencionou as campanhas de vacinação realizadas e destacou a importância da genotipagem do vírus para garantir que a vacina em uso seja eficaz. O resultado foi positivo. Ela observou que muitos casos de SRAG foram em pessoas não vacinadas e lembrou que a Covid-19 ainda não foi erradicada e pode voltar a ser uma preocupação.
Outro tema abordado foi o aumento dos casos de bronquiolite em crianças menores de 2 anos, causados pelo vírus sincicial respiratório. Goiás recebeu vacinas para gestantes visando proteger os recém-nascidos. Em breve, a Secretaria espera receber um tratamento chamado Nirsevimabe, que é um anticorpo que pode ajudar a combater esse vírus.
A subsecretária fez um apelo para que a população compreenda a importância da vacinação, enfatizando que isso não é apenas uma proteção individual, mas também coletiva. Ela ressaltou que as UTIs estão lotadas, principalmente com crianças e idosos, os grupos mais vulneráveis, e que as vacinas disponíveis são seguras e eficazes. Contudo, a adesão à vacinação ainda é baixa.
Flúvia informou que, até março, estarão disponíveis as vacinas de 2025 e que é essencial que as pessoas que não se vacinaram no ano passado procurem os postos de saúde. Ela também reforçou a necessidade de imunização contra a Covid-19, especialmente entre crianças, que muitas vezes não recebem a proteção adequada.
Por fim, apesar das dificuldades, Flúvia destacou um aspecto positivo: a cobertura vacinal para algumas doenças, como a tuberculose, está aumentando. A vacina BCG alcançou 90% de imunização no público-alvo, e outras vacinas, como a pentavalente e a hepatite B, estão se aproximando de 80%. No entanto, a meta continua sendo atingir 95% de cobertura vacinal em todas as vacinas.
