A sonda MAVEN, da NASA, perdeu contato com a Terra no dia 6 de dezembro após passar atrás de Marte, onde está em órbita desde 2014. Quando a sonda atingiu uma nova posição de visibilidade, os sinais esperados não foram recebidos pela Deep Space Network (DSN), a rede responsável pela comunicação com espaçonaves distantes.
Louise Prockter, diretora da divisão de ciências planetárias da NASA, expressou preocupação sobre a recuperação da sonda durante uma recente conferência em Baltimore, Maryland. De acordo com ela, as chances de recuperar a MAVEN parecem baixas, pois há indícios de que a sonda pode ter se deslocado de sua trajetória original.
A sonda MAVEN, que significa “Evolução da Atmosfera e dos Voláteis de Marte”, é crucial para o entendimento das mudanças na atmosfera marciana. Entre o fim de dezembro e meados de janeiro, Marte esteve em conjunção solar, o que impediu qualquer comunicação entre Marte e a Terra. Durante esse período, os dois planetas estavam alinhados de tal forma que o Sol bloqueava as transmissões. Após essa fase, a NASA retomou os esforços para restabelecer a comunicação, mas até agora não obteve sucesso.
Antes de perder o contato, a MAVEN havia enviado dados indicando que todos os seus sistemas principais estavam funcionando normalmente. No entanto, um exame mais detalhado indicou que a sonda estava girando descontroladamente, o que pode ter alterado sua orientação e órbita. Essa rotação errática pode ter dificultado a comunicação com a Terra, já que as antenas precisam estar alinhadas para que os sinal sejam trocados.
Além disso, a NASA utilizou o rover Curiosity, que há anos explora a superfície de Marte, na tentativa de localizar a MAVEN. O rover tinha a missão de registrar a passagem da sonda, mas não conseguiu capturar nenhuma imagem, aumentando a suspeita de que a MAVEN tenha mudado de trajetória.
Enquanto isso, a agência espacial está se esforçando para minimizar o impacto da perda de contato da MAVEN nas missões em Marte, uma vez que a sonda também é responsável por retransmitir dados entre a Terra e os robôs na superfície. Apesar da situação, outros três orbitadores continuam em operação: o Mars Reconnaissance Orbiter (MRO) e o Mars Odyssey, da NASA, e o ExoMars Trace Gas Orbiter (TGO), da Agência Espacial Europeia. Esses orbitadores ajudam a garantir a continuidade das pesquisas científicas dos rovers, que precisaram ajustar suas rotinas devido à ausência da MAVEN.
A MAVEN foi lançada em novembro de 2013 e entrou na órbita de Marte em setembro de 2014, com o objetivo de estudar como a atmosfera marciana se transformou ao longo do tempo e por que uma parte dela se dispersou no espaço. A sonda observa a atmosfera superior e como o Sol e o vento solar a afetam, fornecendo informações valiosas para entender a história climática do planeta vermelho e avaliar a possibilidade de água líquida e condições de vida no passado. Em setembro de 2025, a MAVEN completará 11 anos em órbita, consolidando-se como uma das missões mais duradouras dedicadas ao estudo de Marte.
