A novela “Nina”, que tem Regina Duarte no papel principal, voltou a ser exibida no Globoplay e traz à tona a história do Brasil dos anos 1920, um período marcado por profundas transformações sociais e culturais. Conhecidos como os “anos loucos”, esses tempos foram marcados pela industrialização e pelas inovações no setor cafeeiro. Na trama, Regina Duarte vive uma personagem central que reflete essas mudanças.

    Originalmente, “Nina” estreou em junho de 1977, após a censura da novela “Despedida de Casado”, também escrita por Walter George Durst. A censura da obra original fez com que todo o elenco fosse então direcionado para “Nina”. No passado, Durst escrevia cerca de 25 páginas diárias da história em homenagem ao autor Galeão Coutinho, a partir de suas obras “Vovô Morungaba” e “Memórias de Simão, o Caolho”. A novela foi planejada com 133 capítulos, mas no total foram exibidos 142, dos quais apenas nove estão disponíveis atualmente no Globoplay.

    A trama passou por uma significativa virada a partir do 73º capítulo, onde a protagonista adota um novo estilo de cabelo e se vê envolvida em acusações de crime, mudando a dinâmica da história. Vale destacar que, na época, o autor da novela expressou suas opiniões sobre o feminismo de forma polêmica, dizendo que uma mulher feminista deveria ser cada vez mais feminina, o que gerou controvérsia e debate sobre a interpretação da personagem.

    A atuação de José Lewgoy, um dos atores da novela, também foi marcada por polêmicas. Ele se queixou de críticas e acabou se afastando do papel, o que levou a especulações sobre sua disciplina nos set de filmagem. O ator Marcos Paulo, que substituiu Cláudio Marzo, declarou que já estava cansado quando recebeu a escalação, além de considerar seu papel na trama como repetitivo. A atriz Elza Gomes relatou que enfrentava cansaço devido às gravações intensas, o que foi uma preocupação compartilhada por outros artistas do elenco.

    Apesar das dificuldades e críticas, Walter Avancini, um dos diretores da novela, acreditava que “Nina” cumpriu sua função como uma produção experimental, embora não tenha alcançado grande sucesso de público. A novela era considerada lenta e, por vezes, carecia de ação, fatores que podem ter prejudicado sua recepção. As gravações ocorreram em várias locações, incluindo Santa Teresa, no Centro do Rio de Janeiro, e em Bananal, em São Paulo, mesmo que a história se passasse em São Paulo.

    “Nina” é lembrada como importante na trajetória da televisão brasileira e no desenvolvimento de suas narrativas, embora tenha enfrentado muitos desafios durante sua exibição.

    Share.