A implementação de novas tecnologias será o destaque deste ano na área da saúde. O avanço tecnológico é considerado fundamental para a medicina e, de acordo com o professor Paulo Saldiva, da Faculdade de Medicina da USP, pode ajudar a reduzir as desigualdades sociais.
Durante a pandemia de covid-19, o sistema de saúde brasileiro enfrentou sérios problemas, com uma crise sanitária e conflitos políticos entre os diferentes níveis de governo. Profissionais de saúde, muitos deles inexperientes ou recém-formados, foram rapidamente mobilizados para atender pacientes em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) e prontos atendimentos. Isso gerou a necessidade urgente de capacitação para aumentar a eficiência e reduzir a mortalidade. Uma das inovações importantes foi a tele-UTI, que permitiu monitorar pacientes à distância e oferecer educação aos profissionais. Em UTIs que foram montadas rapidamente, a taxa de mortalidade caiu de 70% para uma média de 30%, que é a média mundial.
A utilização da inteligência artificial (IA) também foi abordada pelo professor. Ele enfatizou que a tecnologia não deve ser utilizada apenas para aumentar lucros, mas sim para promover acesso aos serviços de saúde. O papel humano na medicina é insubstituível. A IA pode ajudar na prática médica, mas é imprescindível respeitar o valor do cuidar, que é uma ação com significado histórico e emocional.
Saldiva também destacou a importância das ciências humanas na medicina digital. Valores como ética e respeito às diferentes culturas serão fundamentais para o uso eficaz da tecnologia. A inteligência artificial e a medicina digital devem caminhar juntas, mas sempre com um olhar humano.
A adoção de novas tecnologias requer atualização constante. O professor alerta que há uma abundância de dados disponíveis sobre cada paciente, e esse conhecimento pode ajudar na eficácia dos tratamentos. No entanto, os profissionais de saúde devem estar atentos a um dilema moral: como equilibrar a eficiência financeira e a humanização do atendimento.
O crescimento do conhecimento na medicina é exponencial. No passado, os médicos precisavam de cerca de cinquenta anos para ter um domínio completo de sua área. Hoje, esse tempo de duplicação do conhecimento pode ser de apenas alguns meses. Isso significa que os profissionais de saúde precisarão se dedicar ao aprendizado contínuo ao longo de suas carreiras, uma realidade que é intensificada pela presença da inteligência artificial.
