Os Horríveis Assassinatos na Cabana 28 de Keddie
Entre os dias 11 e 12 de abril de 1981, a pacata cidade de Keddie, na Califórnia, foi palco de um crime brutal. Glenna “Sue” Sharp e mais três pessoas foram mortas de forma cruel. Até hoje, o caso permanece sem solução.
Na manhã de 12 de abril, Sheila Sharp, uma adolescente de 14 anos, voltou para casa na Cabana 28, onde morava. O que encontrou no interior do pequeno lugar se tornaria uma das cenas mais chocantes da história do crime nos Estados Unidos. Entrada na Cabana 28, Sheila descobriu os corpos de sua mãe, Glenna “Sue” Sharp, de seu irmão John, e do amigo dele, Dana Wingate. Os três estavam amarrados com fita adesiva e outros materiais, e todos apresentavam sinais de terem sido brutalmente agredidos. A irmã de Sheila, Tina, de 12 anos, estava desaparecida.
O mais estranho era que os irmãos mais novos de Sheila, Rickey e Greg, além do amigo, Justin Smartt, estavam em um quarto, ilesos. Apesar do massacre que ocorreu próximo a eles, os meninos dormiram a noite inteira.
A Família Sharp em Keddie
A família Sharp havia se mudado para Keddie apenas um ano antes. Sue, que havia se divorciado, trouxe as crianças de Connecticut em busca de uma nova vida. Ela vivia com seus cinco filhos: John, Sheila, Tina, Rickey e Greg. A família tinha uma boa relação com os vizinhos e era bem-vista na comunidade.
Na noite anterior aos crimes, Sheila havia dormido na casa de uma amiga. John e Dana foram a uma festa em uma cidade próxima, enquanto Tina ficou um tempo com a irmã antes de retornar para casa. Ao voltar na manhã seguinte, Sheila ficou horrorizada ao ver o que aconteceu e correu para buscar ajuda.
A Violência das Mortes
O crime foi extremamente violento. Os socorristas chegaram cerca de uma hora após Sheila descobrir os corpos. O policial Hank Klement, que chegou ao local primeiro, ficou chocado com a quantidade de sangue. Havia vestígios de sangue por toda parte: nas paredes, nos móveis e até no teto.
As investigações indicaram que os corpos foram movidos após o assassinato. John foi encontrado próximo à porta, com os braços amarrados e um corte profundo na garganta. Dana estava ao seu lado, com a cabeça severamente machucada, resultado de um golpe contundente. Sue, também ferida, estava parcialmente coberta por um cobertor, mas os sinais de luta eram evidentes.
Foi um crime de gruesome magnitude, e a busca pela verdade começou imediatamente.
Investigação Mal Conduzida dos Assassinatos na Cabana 28
Quando se percebeu que Tina estava desaparecida, o FBI foi chamado para ajudar. Na época, o xerife Doug Thomas e seu tenente, Don Stoy, encontraram dificuldades em identificar um motivo claro para os crimes. Não havia sinais de arrombamento, mas impressões digitais não identificadas foram encontradas na cabana. Além disso, o telefone estava fora do gancho e as luzes apagadas.
Além do mais, os meninos mais novos não apresentavam ferimentos e pareciam não ter percebido a violência que ocorreu ao lado deles. Curiosamente, moradores da cabana vizinha ouviram gritos, mas não conseguiram identificar a origem e retornaram a dormir.
No entanto, Justin Smartt, amigo da família, afirmou ter visto Sue com dois homens naquela noite. Ele descreveu um deles como tendo um bigode e cabelo longo e o outro como sendo mais baixo e careca, ambos usando óculos. Segundo ele, houve uma briga entre John, Dana e os homens.
A coleta de evidências se deu em uma época anterior à análise de DNA, dificultando a ligação dos suspeitos ao crime.
Suspeitos e Indícios Ignorados
Os suspeitos iniciais foram Martin Smartt, pai de Justin, e um convidado que morava com ele, John “Bo” Boudebe. Ambos estavam agindo de maneira estranha em um bar na noite anterior ao crime. Martin também afirmou ter um martelo semelhante ao encontrado na cena do crime.
Após três anos, novas evidências surgiram, quando restos humanos, incluindo um crânio, foram encontrados em Butte County, cerca de 30 milhas de Keddie. Esses restos foram identificados como sendo de Tina Sharp, confirmando a magnitude do crime como um assassinato quadruplo.
Um telefonema anônimo levantou questões sobre o caso e foi ignorado até 2013, quando a investigação foi reaberta. Outros indícios significativos surgiram, como um martelo encontrado em um lago seco em Keddie e uma carta de Marine Smartt, esposa de Martin, que levantou suspeitas sobre o envolvimento dele no crime.
Teorias e Possíveis Motivos
Uma das teorias mais aceitas é que houve um triângulo amoroso entre Martin, sua esposa Marilyn e Sue. Supõe-se que Martin estava tendo um caso com Sue, que aconselhava Marilyn a deixar o marido. Quando Martin descobriu isso, ele e Bo, um amigo violento, teriam planejado eliminar Sue.
As circunstâncias em que os meninos foram poupados e a presença de Martin no local ajudam a construir essa narrativa. Além disso, a maneira como a investigação inicial foi conduzida levantou suspeitas sobre uma possível encobertura.
Investigações mais recentes sugeriram que a conexão de Martin com o crime organizado pode ter influenciado a forma como o caso foi tratado pelas autoridades. As ações da equipe investigativa levantam questões sobre corrupção na polícia e encobrimento.
Novas Esperanças para o Caso Keddie
Apesar de Martin e Bo terem falecido, novos avanços em DNA têm trazido à tona suspeitos que ainda estão vivos, levantando esperanças de que a verdade sobre os assassinatos de Keddie seja revelada. O xerife Greg Hagwood acredita que mais pessoas estiveram envolvidas na eliminação de evidências e no desaparecimento de Tina.
A investigação dos assassinatos na cabana 28 é um lembrete sombrio de que, mesmo anos depois, a busca pela justiça continua viva. 37 anos após o crime, novos indícios reabrem a esperança de que a verdade possa ser encontrada.
Essa história trágica não deve ser esquecida, e a luta por respostas ainda persiste.
