A Paraíba dará um passo significativo na área da saúde e dos direitos humanos neste sábado, 29 de novembro de 2025, ao realizar a primeira cirurgia de redesignação sexual do estado. O procedimento será realizado pelos cirurgiões plásticos João Pedro Lacerda e Olga Maria Mariz e representa um marco histórico para a população trans do estado.

    Apesar de a cirurgia ser um direito garantido por lei, o acesso a esse tipo de procedimento ainda é limitado na Paraíba. Atualmente, a rede do Sistema Único de Saúde (SUS) não oferece essa cirurgia, tornando a realização deste procedimento particular ainda mais importante. O atendimento ocorrerá por meio de um convênio médico, o que simboliza um avanço no acesso aos serviços de saúde para a afirmação de gênero.

    João Pedro Lacerda, um dos cirurgiões, destacou a importância do momento, afirmando que agora a população trans da Paraíba poderá realizar a cirurgia em seu próprio estado, sem precisar buscar ajuda em outras regiões.

    A cirurgia de redesignação sexual feminina é destinada a pessoas que nasceram com órgão sexual masculino, mas se identificam como mulheres. O procedimento é complexo e envolve a construção de uma neovagina a partir de tecidos do corpo da paciente. A Dra. Olga Maria explicou os detalhes da cirurgia, que incluem:

    – Criação de um canal vaginal entre o reto e a bexiga;
    – Retirada dos testículos, que interrompe a produção de testosterona;
    – Revestimento do novo canal com a pele que antes recobria o pênis;
    – Transformação da glande em neoclítoris, preservando a sensibilidade;
    – Redução e reposicionamento da uretra;
    – Modelagem da genitália externa para que se assemelhe à de uma mulher cis.

    O procedimento não é apenas estético; ele é funcional. Após a cirurgia, a paciente passará por um acompanhamento clínico contínuo e precisará de pelo menos seis meses para a cicatrização completa e para retomar as atividades sexuais.

    Os cirurgiões ressaltaram que a redesignação sexual não acontece de forma imediata. Antes de ser submetida à cirurgia, a paciente deve ter um histórico de acompanhamento com profissionais de diversas áreas, como endocrinologia, psicologia e psiquiatria, além de um tempo mínimo de vivência no gênero com o qual se identifica.

    João Pedro mencionou que a formação da equipe médica teve seus desafios, especialmente pela falta de profissionais capacitados e pela resistência de alguns médicos em trabalhar com a população trans. Ele destacou que ainda existe preconceito e barreiras pessoais que dificultam esse serviço, mas acredita que a equipe continuará a se desenvolver.

    Os cirurgiões, que são irmãos, ressaltaram a ligação especial que têm, o que gerou emoção durante a entrevista. O evento será um marco, pois marcará a primeira cirurgia de redesignação sexual realizada na Paraíba.

    A expectativa é que esse avanço promova a criação de serviços especializados e amplie o acesso ao atendimento integral para pessoas trans na rede pública e privada de saúde. Para a equipe médica, este momento também é uma vitória no campo dos direitos humanos, simbolizando o respeito e a dignidade que todos merecem. As atualizações sobre o procedimento serão compartilhadas nas redes sociais dos profissionais envolvidos.

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