Repasses financeiros atrasados estão colocando em risco o funcionamento de hospitais filantrópicos em Belo Horizonte, o que pode afetar diretamente o atendimento à saúde de milhares de pacientes. A situação envolve um conflito entre a Prefeitura de Belo Horizonte e a Federação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos de Minas Gerais, que representa várias instituições de saúde.

    A federacão alega que a prefeitura não está cumprindo com os repasses financeiros obrigatórios, o que pode levar a graves consequências, incluindo a paralisação de serviços e o atraso nos pagamentos de funcionários e fornecedores. Entre os hospitais que enfrentam dificuldades estão a Santa Casa, o Hospital da Baleia, o Risoleta Neves, o São Francisco e o Sofia Feldman. Só a Santa Casa e o Hospital da Baleia atendem mais de 100 mil pacientes por ano, enquanto o Sofia Feldman realiza mais de 700 partos mensalmente. O Risoleta Neves é o único grande pronto-socorro na região Norte da cidade e o São Francisco atende 31 especialidades médicas.

    Em uma nota à imprensa, a Federassantas destaca a urgência de um cronograma de repasses financeiros por parte da prefeitura, a fim de evitar uma crise ainda maior. Apesar de a prefeitura ter afirmado que está trabalhando para regularizar os pagamentos, a falta de um planejamento formal e detalhado tem gerado incertezas. O temor é que a folha de pagamento dos hospitais não seja quitada até o dia 26 de janeiro, o que poderia complicar ainda mais a situação.

    A situação financeira da Santa Casa é crítica, com dívidas que somam R$ 35 milhões, dos quais R$ 24,8 milhões estão relacionados a repasses não realizados pela prefeitura, sendo que R$ 12 milhões venceram recentemente. A instituição precisou contratar um empréstimo de R$ 15 milhões para cumprir seus compromissos. Outros hospitais têm tomado medidas semelhantes, como contrair empréstimos ou utilizar reservas destinadas a outras finalidades.

    A Prefeitura de Belo Horizonte, em resposta às preocupações, informou que na semana passada foram repassados mais de R$ 50 milhões às instituições de saúde e que planeja honrar os acordos financeiros feitos com os hospitais. A prefeitura ressaltou que o compromisso com a gestão responsável dos recursos do SUS permanecerá a mesma.

    Os atrasos em repasses financeiros e a reivindicação de pagamentos têm sido questões recorrentes nas relações entre o poder público e as instituições de saúde nos últimos anos. Em 2024, o governo do estado quitou uma dívida histórica de R$ 440 milhões com os hospitais, enquanto atualmente a PBH deve R$ 115 milhões, prometendo quitar essa quantia até fevereiro.

    Uma reunião está marcada para quarta-feira (21) entre representantes dos hospitais e da Federassantas, onde discutirão as condições atuais e as estratégias a serem adotadas.

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