A Ascensão e Queda do “E”
Na segunda metade do século 19 até o começo do século 20, as notas numéricas eram a forma mais comum de avaliar os alunos. Porém, junto com esse método, surgiu outro sistema: as notas em letras. Em 1884, as professoras do Mount Holyoke College, em Massachusetts, começaram a usar esse novo critério. Na verdade, em 1896-1897, a escola se tornou a primeira nos Estados Unidos a ter um sistema de notas em letras documentado.
Nesse sistema, as letras representavam intervalos numéricos, mas esses intervalos eram diferentes dos de Harvard. As notas eram parecidas com as que usamos hoje. Uma nota “A” (excelente) correspondia a 95-100, “B” (boa) ia de 85 a 94, “C” (razoável) era de 76 a 84, “D” (passou raspando) valia 75 e, finalmente, a “E” era uma nota de reprovação, mas não tinha um número exato associado.
No ano seguinte, Mount Holyoke fez uma mudança no sistema de avaliação, introduzindo a nota “F” pela primeira vez. Com essa mudança, as faixas numéricas foram ajustadas para incluir essa nova letra. O sistema de notas então foi organizado de “A” a “F”. Curiosamente, a escola decidiu manter a “E”, aumentando o número de categorias de cinco para seis. No entanto, essa decisão não agradou e outras instituições começaram a deixar a “E” de fora.
Existem várias teorias para explicar a queda do “E”, uma delas é que havia a necessidade de um sistema mais eficiente. No início do século 20, muitos educadores acreditavam que um número menor de categorias de notas ajudaria os professores a avaliarem mais rapidamente, simplificando o processo.
Isidor Edward Finkelstein, autor de “The Marking System in Theory and Practice” (1913), foi uma figura importante nessa discussão. Ele e seus colegas defendiam que cinco divisões eram o ideal para um sistema de notas, logo, a escala moderna precisaria excluir uma letra. Pesquisadores como Kimberly Tanner e Dr. Jeffrey Schinske, em seu artigo “Teaching More by Grading Less (or Differently)”, afirmaram que a nota “E” acabou sendo um alvo fácil, já que o “F” representava claramente a reprovação.
O estudo também aponta um outro problema com a “E”: muitos alunos pensavam que essa letra significava “excelente”, mesmo sendo uma indicação de notas insatisfatórias. Por conta disso, a “E” virou a letra mais mal compreendida do sistema. E assim surgiu um dilema — a “F” era um símbolo claro de fracasso, enquanto a “E” gerava confusão na avaliação. Por volta da década de 1930, as notas “E” já tinham desaparecido das escolas americanas.
Com isso, a história do sistema de notas evoluiu, e o “E” acabou ficando para trás na maioria das instituições. O que era uma tentativa de diversificar as avaliações se transformou em um emaranhado que confundia estudantes. A evolução desse método de notas reflete as mudanças no ensino e como os educadores buscam sempre formas de melhorar a forma de avaliar os alunos.
