Recentemente, tive uma experiência desagradável em um grupo online de paganismo, onde fui banido por não seguir a norma sobre “práticas fechadas”. Esse conceito, que no passado se referia à reserva de certos rituais indígenas para seus praticantes, agora parece estar mais amplo e confuso.

    Antigamente, o que se considerava “práticas fechadas” era mais específico. Por exemplo, as cerimônias dos povos nativos norte-americanos eram protegidas para respeitar sua cultura. Aqueles que não pertencem a esses grupos reconheciam essa limitação e não levantavam críticas. Era uma forma de consideração.

    Atualmente, no entanto, o termo “práticas fechadas” se expandiu de maneira a incluir diversas outras tradições. Por exemplo, se você não é judeu, é desencorajado a trabalhar com a figura de Lilith. Para aqueles que não têm raízes no Oriente Médio, adotar o zoroastrismo é visto como inadequado. E se você não cresceu na Irlanda, a prática da magia dos seres de fadas é considerada proibida.

    Essa ampliação do conceito parece criar barreiras desnecessárias e confusas. Para muitos que se interessam pelo paganismo, essa atitude pode parecer estranha e até engraçada. A sensação de que certos saberes estão sendo restritos só por questões políticas atuais gera um desconforto.

    Por que há essa necessidade de sinalizar virtudes e fazer essa “porteira” entre as práticas? É importante considerar se, de fato, existem conhecimentos que são proibidos a todos. É fundamental lembrar que o conhecimento, por natureza, deve ser compartilhado.

    A ideia de que algumas tradições precisam ser exclusivas pode trazer uma sensação de separação. Isso pode levar a um ambiente onde as pessoas se sentem inadequadas ou excluídas por apenas querer aprender ou se conectar com determinadas práticas. O que deveria ser um espaço acolhedor pode, assim, se tornar uma rede de exclusões.

    A busca por entendimentos mais amplos e inclusivos em várias culturas é uma necessidade crescente. Há um desejo genuíno de aprender e explorar diferentes tradições, sem que isso seja visto como uma apropriação negativa. Muitas vezes, as pessoas apenas querem entender mais sobre o que as fascina.

    Fica então a reflexão: onde estão os limites do aprendizado? Quem decide o que deve ser ensinado ou praticado? Essas questões são importantes e precisam ser debatidas. Afinal, a diversidade cultural deve ser celebrada e não limitada.

    Enquanto isso, é essencial que continuemos a buscar espaços onde se possa praticar livremente, respeitando indivíduos e tradições, mas também incentivando a troca de experiências e saberes. O diálogo aberto é fundamental para que todos possam se sentir pertencentes, mesmo em ambientes que tradicionalmente não os incluíam.

    Uma abordagem construtiva poderia ser a criação de grupos que respeitem as tradições, mas que também estejam dispostos a integrar novas vozes e perspectivas. Isso pode enriquecer qualquer prática e garantir que o conhecimento flua livremente, sem restrições desnecessárias.

    Portanto, ao explorarmos diferentes práticas espirituais, devemos ter em mente a importância do respeito e da inclusão. O aprendizado deve ser um processo contínuo e acessível, onde todos são convidados a participar e contribuir.

    Em resumo, ao lidar com tradições, devemos sempre considerar a origem e a intenção delas, mas, ao mesmo tempo, devemos estar abertos ao aprendizado e à troca cultural. O mundo é vasto e repleto de sabedoria a ser descoberta, e isso deve ser feito de maneira respeitosa e inclusiva.

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