De quatro em quatro anos, a Copa do Mundo também coloca em campo um campeonato paralelo: o dos profetas. Videntes, astrólogos, economistas, matemáticos, especialistas em algoritmos e toda sorte de adivinhos disputam quem consegue prever o futuro antes da bola rolar. Alguns acertam, muitos erram e quase todos acabam tratados como gênios ou farsantes conforme o resultado do último jogo.

    O mais novo fenômeno atende pelo nome de Joachim Klement. Economista alemão, ele ganhou fama por ter acertado os campeões das três últimas Copas e agora volta aos holofotes com uma previsão ousada: a Holanda levantará a taça em 2026. Para o Brasil, reservou um roteiro ainda mais dramático. Disse que a Seleção terminaria em primeiro lugar do grupo, cruzaria com o Japão nas oitavas de final e sofreria justamente ali a primeira grande zebra do mata-mata.

    Até aqui, é verdade, Klement acertou o caminho brasileiro. O adversário será mesmo o Japão. Daí para frente, porém, entra-se naquele território em que estatística, superstição e chute convivem sem pedir licença.

    A Copa já mostrou, aliás, como esse universo costuma ser fértil para previsões extravagantes. Um dia antes do duelo entre Brasil e Escócia, a vidente Vó Bahiana, dona de milhões de seguidores nas redes sociais, apareceu aos prantos afirmando que havia sonhado com uma tragédia. Falou em abdução de jogadores, em OVNIs sobrevoando o estádio de Miami e numa cena digna de filme de ficção científica.

    No fim das contas, o único “objeto não identificado” que apareceu em campo foi Vinícius Júnior. O atacante atropelou a defesa escocesa, marcou dois gols, teve outro anulado e confirmou que, ao lado de Lionel Messi e Kylian Mbappé, é um dos grandes protagonistas desta Copa.

    E já que o assunto é acreditar em sinais, vale apresentar uma superstição bem mais simpática. O Brasil estreou empatando no dia 13 de junho, data dedicada a Santo Antônio. A classificação foi consolidada com vitória sobre a Escócia em 24 de junho, Dia de São João. Agora, encara o Japão neste 29 de junho, Dia de São Pedro.

    Se economistas podem fazer previsões e videntes podem falar em discos voadores, o torcedor brasileiro também tem o direito de recorrer ao seu próprio calendário da fé. Entre algoritmos, planilhas e profecias, talvez seja mais prudente confiar na bola que Vinícius Júnior está jogando – e, por via das dúvidas, deixar que Santo Antônio, São João e São Pedro deem uma ajudinha.

    Se depender dos santos, o alemão vai interromper sua sequência de acertos justamente diante da Seleção Brasileira. Afinal, em Copa do Mundo, há previsões que envelhecem muito mais rápido do que um contra-ataque em alta velocidade de Vini Jr.

    A coluna Futebol Etc na edição impressa do Jornal de Brasília.

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    Nilson Tales

    Formado em Engenharia de Alimentos pela UEFS, Nilson Tales trabalhou durante 25 anos na indústria de alimentos, mais especificamente em laticínios. Depois de 30 anos, decidiu dedicar-se ao seu livro, que está para ser lançado, sobre as Táticas Indústrias de grandes empresas. Encara como hobby a escrita dos artigos no Universo NEO e vê como uma oportunidade de se aproximar da nova geração.