O setor de música ao vivo no Reino Unido está passando por um processo de recuperação, com um aumento no número de eventos e de públicos nas casas de show. No entanto, essa recuperação ainda é vulnerável devido a custos altos e à diminuição de circuitos locais, o que pode dificultar a formação de novos artistas.

    A Music Venue Trust (MVT), uma organização que defende a preservação e a melhoria dos espaços de música de base, apresentou seu relatório anual. O fundador e CEO, Mark Davyd, mencionou que os dados mostram uma progressão no setor, mas ainda não é um sinal de uma recuperação definitiva.

    Entre os dados revelados, 30 espaços de música encerraram suas atividades permanentemente em 2025. Ao mesmo tempo, 48 deixaram de funcionar como locais de música de base, mas surgiram 69 novos ou revitalizados, o que ajudou a diminuir a taxa de fechamento.

    Apesar disso, a situação financeira é desafiadora. Mais da metade dos espaços de música não obteve lucro em 2025, com uma média de apenas 2,5%. Muitos desses locais dependem ainda das vendas de bebidas e alimentos para cobrir os custos de apresentações.

    Mark Davyd ressaltou que, embora o governo esteja adotando uma postura mais favorável, reconhecendo a importância dos pequenos espaços na formação de artistas e no fortalecimento das comunidades, ainda não foram implementadas políticas eficazes para ajudar de forma significativa.

    Um dos problemas principais está relacionado ao sistema de impostos. Davyd explica que a classificação inadequada das casas de show como negócios comerciais limita a viabilidade financeira desses espaços, especialmente com as recentes mudanças nas taxas ainda não sendo aplicadas.

    O relatório também indica que o setor perdeu quase 6 mil empregos em 2025, resultado de políticas que impactaram diretamente trabalhadores jovens e freelancers. Essa situação foi considerada uma consequência não intencional de medidas governamentais.

    Além disso, a mobilidade dos shows diminuiu em 175 cidades, refletindo uma concentração maior de eventos em grandes centros das cidades. Isso representa um obstáculo para artistas emergentes e para o público em áreas menos conectadas.

    Para enfrentar esses desafios, a MVT tem implementado iniciativas emergenciais, oferecendo orientação e novos programas de turnê para estreitar a conexão entre as cidades. Um exemplo é o espaço Where Else?, em Margate, que recebeu suporte da MVT para lidar com problemas relacionados ao aluguel.

    De acordo com Davyd, para que a situação melhore, são necessárias ações concretas e políticas consistentes. Ele destacou que a música em pequenos espaços é fundamental não apenas para o desenvolvimento de novos talentos, mas também para promover a união das comunidades. A expectativa é de que se vejam avanços significativos em 2026.

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