O Guangzhou FC, fundado em 1954 na cidade chinesa de mesmo nome, viveu uma trajetória de altos e baixos até seu desaparecimento. Conhecido como “Tigres do Sul da China”, o clube era uma representação do governo local, uma prática comum no futebol do país.

    A equipe só se tornou profissional 39 anos após sua fundação. Nesse período, alternou entre promoções e rebaixamentos, sendo um coadjuvante em uma importante cidade financeira. A situação piorou em fevereiro de 2010, quando o time foi rebaixado à segunda divisão por manipulação de resultados.

    O caso foi parte de uma ampla investigação que prendeu dirigentes de outros clubes, ex-vice-presidentes da federação chinesa e até um árbitro da Fifa. Com a diretoria presa, o Guangzhou foi colocado à venda. Foi então que surgiu a Evergrande, uma gigante do setor imobiliário.

    A empresa comprou o clube por 100 milhões de yuans e o rebatizou como Guangzhou Evergrande. O fundador da empresa, Xu Jiayin, passou a comandar os investimentos. Em uma década, a Evergrande acumulou 150 bilhões de dólares em ativos, aproveitando o crescimento econômico chinês.

    Com os novos recursos, o clube iniciou uma reformulação ainda na segunda divisão. Foram contratados grandes nomes do futebol local e o brasileiro Muriqui. O atacante revelou que teve dúvidas no início, mas o projeto de subir de divisão o convenceu. No fim de 2010, o time foi campeão e retornou à elite.

    Nos anos seguintes, o poder financeiro transformou o Guangzhou no “Chelsea da Ásia”. O clube passou a contratar jogadores brasileiros em boa fase, como Conca, Paulinho, Elkeson, Ricardo Goulart e Talisca. Também atraiu o paraguaio Lucas Barrios, que vinha de títulos pelo Borussia Dortmund.

    O time também investiu em treinadores renomados. Por lá passaram os campeões mundiais Marcello Lippi, Fabio Cannavaro e Luiz Felipe Scolari. Em entrevista, Felipão, como é conhecido Scolari, disse que o ambiente era receptivo e que os brasileiros cumpriram o esperado.

    Os resultados foram muitos títulos: oito campeonatos chineses, duas Champions da Ásia, duas Copas da China e quatro Supercopas. Felipão se tornou o técnico mais vencedor da história do clube, com sete taças.

    Em 2020, foi anunciado um projeto ambicioso: um estádio para 100 mil pessoas em formato de flor de lótus, com custo estimado em 12 bilhões de yuans. A arena seria inaugurada em 2022 para ser referência mundial.

    Porém, o crescimento da Evergrande, que teve alta de 44% entre 2004 e 2020, foi baseado em empréstimos. Com o tempo, os juros se tornaram insustentáveis. A crise da empresa afetou diretamente o clube.

    Felipão comentou sobre o fim do Guangzhou. “Quando a crise aconteceu na Evergrande, o clube foi muito impactado. Foi uma queda muito grande”, disse o treinador. Ele se disse triste com o ocorrido, mas lembrou com alegria da passagem pelo time, que considerou um dos melhores lugares onde viveu.

    A queda da Evergrande, uma das maiores empresas da China, levou ao fechamento das portas do Guangzhou FC. O clube que foi heptacampeão consecutivo e dominou o futebol chinês na década de 2010 deixou de existir após a falência de sua controladora.

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    Formado em Engenharia de Alimentos pela UEFS, Nilson Tales trabalhou durante 25 anos na indústria de alimentos, mais especificamente em laticínios. Depois de 30 anos, decidiu dedicar-se ao seu livro, que está para ser lançado, sobre as Táticas Indústrias de grandes empresas. Encara como hobby a escrita dos artigos no Universo NEO e vê como uma oportunidade de se aproximar da nova geração.