A Rússia lançou um programa para restaurar aeronaves antigas com o objetivo de lidar com a falta de aviões na sua frota aérea civil. Essa situação se agravou desde o início das sanções ocidentais em 2022, conforme informou a Rostec, que é um conglomerado industrial estatal do país.
Entre 2026 e 2027, as companhias aéreas russas devem receber aeronaves fabricadas na era soviética e russa que estavam fora de operação. O plano abrange a entrega de nove jatos Tupolev Tu-204/214, um Antonov An-148 e dois grandes aviões Ilyushin Il-96. Esses modelos serão entregues a empresas como a Red Wings, com a expectativa de auxiliar no tráfego de passageiros no país.
A Rostec informou que dez das doze aeronaves designadas para esse programa já foram restauradas e estão prontas para uso, apesar de algumas terem até 30 anos de idade. Além disso, as companhias aéreas russas estão reativando aviões estrangeiros que estavam armazenados. Por exemplo, a companhia Rossiya planeja reintroduzir jatos Boeing 747, que foram retirados de operação durante a pandemia de Covid-19.
Dados da Rosaviatsia, a agência reguladora da aviação civil na Rússia, mostram que, em outubro de 2025, as companhias aéreas do país estavam operando 1.088 aeronaves de um total de 1.135, sendo 67% dessas de fabricação estrangeira.
Especialistas afirmam que a restauração de aeronaves é uma maneira de contornar as dificuldades enfrentadas para manter e renovar a frota, que são frutos das sanções que dificultam o acesso a novos aviões e peças de reposição. A situação persiste, mesmo após um programa governamental iniciado após 2022, que tinha o intuito de substituir aeronaves estrangeiras por modelos fabricados internamente. Segundo esse plano, a indústria russa deveria entregar 127 novas aeronaves entre 2023 e 2025, incluindo jatos Superjet, turboélices Il-114 e Tu-214.
Até o momento, apenas 12 novos Superjets e um Tu-214 foram integrados à aviação civil no período previsto. Vale destacar que o Tu-214 não está sendo utilizado em voos comerciais regulares, mas sim em deslocamentos oficiais, como é o caso dos compromissos do vice-primeiro-ministro Denis Manturov.
