No início de cada ano, muitos costumam elaborar listas de desejos e metas, incluindo objetivos de emagrecimento, planos de viagem e projetos profissionais. Contudo, a saúde mental normalmente ocupa uma posição secundária – quando é mencionada. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, cerca de 5,8% da população do país, o que equivale a aproximadamente 11,7 milhões de pessoas, vive com depressão. Ignorar esses números representa um sério descuido com um problema de saúde pública.

    Um aspecto positivo é que a prevenção em saúde mental pode ser concreta e eficaz. Pesquisas recentes, publicadas em uma revista científica, mostraram que, em apenas oito semanas, práticas como exercícios leves, meditação e uma alimentação balanceada conseguem reduzir o estresse em 70% dos participantes. Além disso, houve uma melhora de 65% no humor, diminuição da ansiedade em 60% e benefícios no sono em 55% dos envolvidos no estudo.

    A saúde mental, segundo a OMS, é definida como um estado de bem-estar que permite à pessoa lidar com os desafios da vida cotidiana, trabalhar de forma produtiva e contribuir para a comunidade. Portanto, saúde mental não é apenas a ausência de doenças, mas sim a capacidade de funcionar com qualidade, aprender, interagir e tomar decisões. Esse assunto é considerado uma prioridade na Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas, sendo abordado no Objetivo de Desenvolvimento Sustentável voltado para a saúde e bem-estar.

    Existem três níveis de prevenção em saúde mental que são importantes nas políticas públicas. A prevenção primária foca em evitar que os problemas surjam, com ações como a erradicação do estigma associado a questões mentais, ensinando crianças e adolescentes a reconhecer suas emoções, e criando ambientes de trabalho mais saudáveis. A prevenção secundária se concentra em pessoas que estão em maior risco, como aqueles sob estresse extremo ou que enfrentam situações de violência, oferecendo apoio psicológico precoce. Por fim, a prevenção terciária é direcionada a pessoas que já possuem um diagnóstico de transtorno, ajudando-as a evitar recaídas e a recuperar a qualidade de vida.

    No cotidiano, é possível adotar medidas simples, mas eficazes, para preservar a saúde mental. Ter um sono regular, manter uma alimentação balanceada, reduzir o consumo de álcool, praticar atividades físicas e fazer pausas na rotina são algumas dessas ações que protegem tanto o corpo quanto o bem-estar mental. Além disso, conversar com amigos ou familiares de confiança, pedir ajuda quando necessário e aprender técnicas de respiração e atenção plena trazem benefícios significativos.

    Entretanto, é fundamental salientar que a responsabilidade pela saúde mental não deve recair apenas sobre o indivíduo. Fatores sociais, econômicos e ambientais têm um papel crucial na saúde mental das pessoas. Questões como desemprego, violência, habitação inadequada, discriminação e jornadas de trabalho excessivas aumentam o risco de adoecimento psicológico. Assim, empresas e gestores públicos têm um papel essencial a desempenhar, adotando políticas para prevenir o esgotamento emocional, organizando o trabalho de forma mais humana, oferecendo canais seguros para que as pessoas busquem ajuda, capacitando líderes para identificar sinais de sofrimento e garantindo acesso a serviços de apoio psicológico.

    Como profissional na área de medicina preventiva, vejo a saúde mental como um pilar fundamental em qualquer plano voltado para uma vida longa e saudável. Neste início de ano, é importante reavaliar as resoluções: é essencial incluir a saúde mental como uma prioridade, buscar informações de qualidade, estar atento aos sinais de alerta e, principalmente, não hesitar ao procurar ajuda profissional quando necessário. Cuidar da mente é um investimento na capacidade de tomar decisões mais adequadas, trabalhar de maneira mais eficiente e viver de forma mais plena – tanto no presente quanto nas décadas futuras.

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