A saúde mental abrange fatores emocionais, psicológicos e sociais que afetam o bem-estar ao longo da vida, indo além da mera ausência de transtornos mentais. Esta definição, apresentada pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), destaca a importância da saúde mental para o desenvolvimento humano, influenciando a aprendizagem, a forma como lidamos com as dificuldades do dia a dia, as relações sociais e a participação ativa na sociedade.
Durante a pandemia, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) observou um agravamento nos problemas de saúde mental entre crianças e adolescentes. Ao mesmo tempo, esse período revelou a importância do ambiente de vida e das conexões afetivas na saúde emocional dos jovens. Um relatório do UNICEF mostra que mais de 16% dos jovens entre 10 e 19 anos enfrentam alguma condição de saúde mental.
Em uma conversa sobre esses desafios, Bruna Elias, diretora pedagógica de uma escola bilíngue, destacou que diversos aspectos do ambiente escolar, como relacionamento interpessoal frágil, alta carga de tarefas, conflitos não resolvidos e falta de espaços para escuta, impactam diretamente a saúde mental dos alunos. Ela salienta que iniciativas que promovem autoconhecimento e regulação emocional são essenciais para criar um ambiente escolar que valorize a comunicação e o respeito, o que ajuda a minimizar problemas emocionais.
Quando sinais de fragilidade emocional não são abordados, as consequências podem ser sérias. A pedagoga aponta que isso pode resultar em diminuição do desempenho acadêmico, dificuldades de concentração, isolamento social, conflitos e até mesmo transtornos como ansiedade e depressão. O papel da escola é, então, atuar de forma preventiva para evitar que esses problemas se tornem obstáculos no desenvolvimento dos alunos.
Bruna explica que a aprendizagem é prejudicada quando o aluno não se sente seguro emocionalmente. A ausência de acolhimento pode intensificar comportamentos agressivos ou levar ao isolamento entre os estudantes. Para combater isso, a formação contínua dos educadores é imprescindível. Professores bem preparados podem identificar sinais de sofrimento emocional, estabelecer diálogos empáticos e aplicar estratégias socioemocionais eficazes.
A formação de professores deve ser constante e atualizada, para que todos os educadores estejam alinhados com práticas embasadas em evidências. Um guia do Ministério da Educação sugere que as escolas se tornem espaços estratégicos para fortalecer as habilidades emocionais e sociais de crianças e adolescentes. Isso inclui desenvolver competências como autoconsciência e regulação emocional.
A inteligência emocional é uma habilidade vital que deve ser integrada ao currículo escolar. Alunos que aprendem a reconhecer suas emoções e a gerenciá-las tendem a se tornar mais autônomos e resilientes, características valiosas tanto para o ambiente escolar quanto para a vida em sociedade. Bruna sugere que essa habilidade seja incorporada ao ensino através de objetivos claros, observações do progresso e atividades específicas.
Estratégias como dinâmicas lúdicas, rodas de conversa e projetos temáticos podem ajudar a fortalecer o senso de pertencimento dos alunos, tornando a escola um ambiente mais adequado ao seu desenvolvimento integral. Professores têm um papel fundamental na criação de ambientes seguros e acolhedores, utilizando rotinas claras, promovendo espaços para escuta e diálogo, e mediando conflitos com empatia.
Práticas que valorizem as emoções, como checagens emocionais, jogos simbólicos e exercícios de mindfulness, são fundamentais para desenvolver a autorregulação e o bem-estar emocional dos alunos. A comunicação entre escola, família e profissionais de saúde é crucial para formar uma rede de apoio que torne as intervenções mais eficazes.
Bruna encerra ressaltando a importância do trabalho conjunto e contínuo, que exige cuidado e sensibilidade para respeitar o tempo e o jeito único de cada aluno lidar com suas emoções. O ambiente escolar deve acolher essa diversidade, reconhecendo que cada estudante vive suas experiências de forma singular.
