Janeiro Branco: Reflexão sobre Saúde Mental com “A Sociedade do Cansaço”

    Durante o Janeiro Branco, um mês dedicado à conscientização sobre a saúde mental, uma recomendação cultural é o livro “A Sociedade do Cansaço”, escrito pelo filósofo Byung-Chul Han. A obra oferece uma análise crítica sobre como o estilo de vida contemporâneo, influenciado pelo capitalismo neoliberal, impacta a saúde mental das pessoas.

    Han começa a discussão abordando a mudança nas sociedades. Antes, as pessoas eram frequentemente controladas por regras rígidas e autoridades externas. Hoje, essa dinâmica se transformou em uma “sociedade do desempenho”, onde cada um se torna responsável pela própria produtividade. Nesse novo cenário, as pessoas se veem na obrigação de maximizar suas capacidades em todos os aspectos da vida.

    Esse problema tem efeitos diretos na saúde mental. Ao internalizar a ideia de que devem se esforçar constantemente, muitas pessoas começam a se autoexplorar, considerando seus limites e cansaço como falhas pessoais. Para Han, doenças como depressão, ansiedade e síndrome de burnout não são apenas problemas individuais, mas indicativos de um sistema que exige um desempenho contínuo e avalia cada movimento.

    No ambiente de trabalho, essa pressão se manifesta de diversas formas: as jornadas estão mais intensas, as divisões entre trabalho e descanso se esvanecem, e é comum que a sobrecarga se torne a norma. O valor é colocado em estar sempre disponível e em responder rapidamente às solicitações, enquanto o descanso é muitas vezes visto como símbolo de falta de comprometimento. Nesse contexto, a sensação de cansaço se transforma em uma fonte de culpa, ao invés de ser reconhecida como um sinal legítimo de esgotamento.

    Esse debate é especialmente relevante para os profissionais da educação, que enfrentam diariamente a exaustão causada pela acumulação de funções, cobranças por resultados e a precarização das condições de trabalho. Os educadores devem cumprir metas e se adaptar constantemente a novas tecnologias, além de estarem disponíveis fora do horário normal de trabalho.

    Adicionalmente, o trabalho na educação carrega uma carga emocional que muitas vezes não é reconhecida. A gestão de conflitos, o cuidado com alunos e suas famílias, e a manutenção de uma postura equilibrada em situações desafiadoras provocam um desgaste importante. Quando surgem problemas de saúde mental, esses são frequentemente vistos como questões individuais, sem levar em conta as condições objetivas do trabalho.

    Ao discutir o cansaço como um fenômeno estrutural, Byung-Chul Han desloca essa conversa, destacando que a exaustão não é um sinal de fraqueza pessoal, mas o resultado direto de um sistema que promove a autoexploração. Essa visão é crucial para os trabalhadores da educação, pois reforça que lutar pela saúde mental envolve também a busca por melhores condições de trabalho.

    Por fim, a leitura de “A Sociedade do Cansaço” é uma provocação importante, que ajuda a entender o adoecimento da contemporaneidade e ressalta a relevância da organização coletiva. Para os educadores, o livro oferece uma forma de nomear e compreender o mal-estar vivido e fortalece a luta por dignidade e condições justas de trabalho.

    O livro está disponível em formato impresso e digital nas principais livrarias.

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