Duas mulheres relataram que o cantor espanhol Julio Iglesias as assediou sexualmente enquanto trabalhavam em suas mansões no Caribe. Uma das empregadas, identificada pelo nome fictício Rebeca, disse que Julio a chamava para seu quarto várias vezes após o trabalho, onde a submeteu a abusos sexuais sem seu consentimento. Rebeca descreveu situações de penetração anal e vaginal, além de bofetadas e humilhações verbais, e afirmou que esses eventos ocorreram em 2021, quando ela tinha 22 anos. Outra mulher, chamada Laura, também relatou experiências similares, incluindo toques indesejados enquanto estavam na praia e na piscina.

    Rebeca afirmou que essa situação a fazia sentir como um objeto ou uma escrava. Ela e Laura revelaram que os incidentes ocorriam frequentemente na companhia de outras funcionárias que exerciam influência sobre elas, criando um ambiente de controle e assédio contínuo. Ambas contaram que, devido ao medo de represálias, foram incentivadas a procurar apoio jurídico com uma organização internacional de direitos humanos.

    A investigação de três anos conduzida por jornalistas revelou que outras ex-funcionárias corroboraram essas experiências de abuso e exploração emocional nas residências de Julio Iglesias na República Dominicana e nas Bahamas. As duas mulheres puderam relatar suas experiências em detalhes, e seus depoimentos foram sustentados por documentos e provas como fotos e registros médicos.

    Em resposta a tais alegações, algumas pessoas que trabalhavam com Iglesias negaram as acusações, caracterizando os relatos como “patranhas”. Uma mulher que supervisava a equipe de serviço declarou nada ter a dizer sobre as acusações, enquanto outra mencionou que os relatos não tinham fundamento.

    Rebeca e Laura narraram que o ambiente de trabalho estava repleto de tensões e que qualquer erro poderia resultar em humilhações públicas. Além disso, Julio Iglesias mantinha um controle rígido sobre as funcionárias, restringindo suas liberdades e fazendo com que se sentissem inseguras. Rebeca afirmou que, mesmo durante a pandemia de Covid-19, as empregadas estavam sob constantes restrições e que era normal que ele exigisse seu telefone para revisar mensagens.

    Ambas as mulheres se sentiram isoladas e pressionadas a aceitar as solicitações de Iglesias, com insinuações de que poderiam ser dispensadas a qualquer momento. Em muitos casos, quando as funcionárias se recusavam a atender aos pedidos, enfrentavam insultos e desprezos.

    Rebeca, atriz de 22 anos na época, revelou que foi chamada para dar um “massagem nos pés”, que se tornou o início de uma série de abusos. Já Laura, enquanto fisioterapeuta, também comentou sobre as humilhações sofridas, destacando que o cantor frequentemente a insultava e a pressionava a agir contra sua vontade.

    Ambas buscaram ajuda profissional após deixarem os empregos e relataram síndromes de ansiedade e depressão resultantes das experiências tortuosas em suas vidas. Através de suas histórias, uma luz foi lançada sobre a dinâmica de poder e manipulação que permeava a vida dessas mulheres durante o tempo em que trabalharam para o cantor.

    O caso trouxe à tona questões importantes sobre assédio sexual e abuso de poder, refletindo uma realidade que muitas vezes permanece oculta não apenas na indústria do entretenimento, mas em vários setores.

    Share.