A Guerra da Ucrânia completou 1.419 dias na última segunda-feira, dia 13, e se aproxima da marca de quatro anos. Esse período já ultrapassou a duração da Segunda Guerra Mundial na Rússia, que foi de 1.418 dias. No governo de Vladimir Putin, esse fato passou despercebido, principalmente devido à tentativa de vincular a atual guerra a memórias do passado, equiparando o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, a Adolf Hitler.

    A Ucrânia também alimenta essa narrativa, destacando figuras do passado ligadas ao nazifascismo e tendo unidades militares com inspiração neonazista, como o Batalhão Azov. No entanto, pouco se fala sobre a comparação entre as durações das guerras, que serve para questionar a ideia de que a máquina militar russa é invencível.

    É importante entender que essa noção de invencibilidade é baseada em eventos da Segunda Guerra Mundial e em uma forte propaganda. O Exército Vermelho passou por uma reorganização durante a invasão nazista em 1941, quando 4 milhões de soldados alemães romperam as fronteiras da União Soviética. Embora o exército soviético tenha enfrentado enormes perdas, estimadas em 27 milhões de vidas, conseguiu repelir os invasores e avançar até a Alemanha.

    O sucesso da União Soviética foi reforçado por seu apoio aos Aliados ocidentais, mas a propaganda na época ofuscou os problemas enfrentados nos primeiros anos da guerra, que se iniciaram com um pacto de não-agressão entre Hitler e Stálin. Esse acordo permitiu que os nazistas e os soviéticos dividissem a Polônia.

    Além disso, a imagem da União Soviética como uma força imparável foi consolidada, apesar das limitações conhecidas de suas capacidades. Antes da invasão da Ucrânia, especulava-se que a capital, Kiev, cairia em apenas três dias. Embora os soldados russos tivessem avançado rapidamente, a resistência ucraniana foi forte e desafiou essas previsões.

    Na época da invasão, Putin controlava cerca de 7% do território ucraniano, incluindo a Crimea e partes do leste, mas chegou a ocupar 26% do país em um determinado momento. Atualmente, essa ocupação está em torno de 20%. Apesar de algumas vitórias territoriais, a comparação com a história militar russa não é favorável.

    A situação atual é diferente da guerra de 1941, que foi um conflito total, mobilizando recursos de forma ampla. Putin descreveu seu esforço como uma “operação militar limitada”. O governo russo tenta mostrar que sair deste conflito com parte do território ucraniano seria uma vitória, mas a rapidez em alcançar tal objetivo tem se mostrado ilusória.

    Diversos problemas enfrentados pela Rússia incluem táticas desatualizadas, falhas logísticas e uma força militar insuficiente. Além disso, a resistência ucraniana e o suporte ocidental complicaram ainda mais a situação.

    Em Moscou, há quem veja essa guerra como parte de um processo de aprendizado, com muitos acreditando que um conflito com a Europa é inevitável. A Rússia investe em sua defesa a uma velocidade impressionante, mas críticos apontam que, mesmo com esse esforço, Putin não conseguiu dominar a Ucrânia e seus aliados. O impacto na imagem da Rússia já é evidente, conforme mencionado por Zelenski, que afirmou que a vitória russa não é garantida, mas os danos à reputação de Moscou já foram causados.

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