A indústria de pneus no Brasil enfrentou um ano difícil em 2025, com uma significativa queda nas vendas, especialmente no segmento de pneus de carga, que são usados em caminhões e ônibus. De acordo com a Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (ANIP), foram comercializados 6,1 milhões de pneus de carga, uma redução de 7,7% em relação aos 6,7 milhões vendidos em 2024.
Esse desempenho negativo afeta não apenas o fornecimento para montadoras, mas também o mercado de reposição, que é o maior consumidor de pneus e tem sido impactado pela crescente importação de produtos, particularmente de países asiáticos. As vendas totais de pneus no Brasil, incluindo tanto pneus de passeio quanto de carga, totalizaram 37,7 milhões de unidades em 2025, o que representa uma queda de 5,8% em comparação com os 40 milhões de pneus vendidos no ano anterior. A produção nacional caiu em 2,3 milhões de pneus.
O segmento de reposição foi o principal responsável pela queda das vendas, com uma diminuição de 7,5%, resultando em 25,3 milhões de unidades vendidas. No fornecimento às montadoras, a diminuição foi mais moderada, com uma queda de 2,1%, totalizando 12,4 milhões de pneus.
Os pneus de carga enfrentaram pressões significativas devido à baixa competitividade dos produtos importados, desaceleração do transporte rodoviário em certos períodos e uma concorrência acirrada no mercado de reposição. Rodrigo Navarro, presidente da ANIP, destacou que as importações têm um impacto severo sobre a indústria nacional, com muitos produtos entrando no país a preços inferiores ao custo e, em alguns casos, não atendendo totalmente às normas técnicas e ambientais.
O cenário se agravou ao longo dos anos. Em 2020, a indústria brasileira respondia por 73% das vendas de pneus, enquanto os importados detinham apenas 27%. Entretanto, em 2025, essa situação se inverteu: os pneus importados passaram a representar 59% do mercado, com a produção nacional caindo para 41%. Navarro se referiu a essa mudança como uma anomalia e alertou que a indústria brasileira possui capacidade suficiente para atender à demanda interna, mas enfrenta uma invasão de produtos importados que coloca em risco não apenas os empregos, mas toda a cadeia produtiva.
Além disso, as investigações antidumping, que são ferramentas para proteger a indústria nacional, estão sendo consideradas lentas e caras, o que dificulta a resposta a essas distorções de mercado.
Os dados de dezembro de 2025 mostraram uma desaceleração ainda mais acentuada. Em relação a novembro, as vendas totais de pneus caíram 12,7%, com uma queda notável de 25% nas vendas destinadas às montadoras. No mercado de reposição, também houve uma retração de 9,3% no mesmo período. Comparando com dezembro de 2024, a queda total foi de 13,1%, incluindo um recuo de 17,4% nas vendas para montadoras e 12,1% no segmento de reposição.
A ANIP alertou que essa situação pode ter efeitos duradouros sobre a indústria, afetando inclusive fornecedores de insumos essenciais. Produtores de borracha natural, por exemplo, estão considerando mudar de atividade, o que poderia resultar na perda de capacidade produtiva local. A dependência do transporte rodoviário de cargas no país torna essa situação ainda mais crítica.
Diante desse panorama, a ANIP está em diálogo com o governo para estabelecer medidas que garantam uma competição justa, assegurem o cumprimento de normas técnicas e ambientais, e ofereçam maior previsibilidade para os investimentos no setor. Navarro reafirmou que o objetivo é mudar esse cenário em 2026.
