Nos últimos meses, as forças de segurança da Venezuela detiveram pelo menos cinco cidadãos americanos. Isso ocorre em meio a uma campanha da administração dos Estados Unidos para aumentar a pressão sobre o presidente venezuelano, Nicolás Maduro. Um oficial americano que está a par dos acontecimentos revelou essas informações.
As situações envolvendo as detenções variam e há indícios de que alguns dos presos possam ter se envolvido com tráfico de drogas. As autoridades dos EUA estão coletando informações sobre as atividades desses americanos na Venezuela no momento em que foram capturados.
Os responsáveis pela política externa do governo Trump acreditam que o governo de Maduro está usando essas detenções para tentar ganhar influência sobre os Estados Unidos, especialmente à luz de uma intensificação nas ações americanas contra o presidente venezuelano. Nos últimos meses, essas ações incluíram ataques a supostos barcos de tráfico de drogas, uma incursão da CIA em uma instalação portuária e um bloqueio no comércio de petróleo.
Essa estratégia é considerada similar à utilizada por aliados da Venezuela, como a Rússia, que ao longo dos anos também prendeu cidadãos americanos, possivelmente como moeda de troca nas relações tensas com os Estados Unidos.
Recentemente, o “The New York Times” informou que um dos americanos detidos é James Luckey-Lange, de 28 anos, de Staten Island, Nova Iorque. Segundo sua tia, Abbie Luckey, a última vez que tiveram contato foi em 8 de dezembro, quando ele ligou de dentro da Venezuela. Desde então, a família não conseguiu se comunicar com ele.
Abbie expressou sua frustração, afirmando que se sente impotente por não conseguir que as autoridades reconheçam oficialmente a detenção de seu sobrinho. Além disso, ela mencionou que não teve sucesso em entrar em contato com o Departamento de Estado dos EUA a respeito do caso.
James Luckey-Lange é filho da cantora Diane Luckey, conhecida como Q Lazzarus, que ganhou notoriedade com uma música que foi destaque no filme “O Silêncio dos Inocentes”. Após a morte de sua mãe, em 2022, ele viajou por vários países da América Latina, inspirado pelos experiências dela na região. De acordo com a família, ele tinha planos de retornar aos Estados Unidos no dia 12 de dezembro para embarcar em um cruzeiro familiar às Bahamas.
Um amigo descreveu James como um “espírito livre” que ama viajar e artes marciais. A expectativa da família é que o Departamento de Estado declare que ele está “detido ilegalmente”, o que ajudaria a dar mais urgência ao caso.
A situação dos cidadãos americanos detidos ocorre em um contexto de crescente tensão entre os Estados Unidos e o governo de Maduro. Washington tem hesitado em declarar que busca ativamente a troca de regime na Venezuela, mas tem acusado o presidente de ser ilegítimo e envolvido em atividades de tráfico de drogas. Em dezembro, o governo dos EUA anunciou sanções contra vários membros da família de Maduro, incluindo sobrinhos e outros familiares.
Além disso, as tensões aumentaram com um ataque recente da CIA a uma instalação portuária na Venezuela. O Secretário de Estado, Marco Rubio, ressaltou que a situação atual com o governo venezuelano é insustentável para os Estados Unidos.
O presidente Maduro se manifestou acerca desses eventos, afirmando que a segurança do país está garantida e que a integridade territorial é mantida pelas forças militares e policiais. Apesar disso, diversas organizações de direitos humanos afirmam que a Venezuela continua a reter centenas de pessoas como presos políticos, especialmente após as eleições de 2024, que foram marcadas por alegações de irregularidades.
Recentemente, grupos de direitos humanos relataram a liberação de dezenas de pessoas de uma prisão venezuelana.
