A Seleção Brasileira se despediu da torcida antes do embarque para a Copa do Mundo com uma goleada de 6 a 2, casa cheia no Maracanã e uma sensação curiosa: o placar foi confortável, mas o caminho até lá mostrou que a caminhada no Mundial pode ser bem mais complicada do que muitos imaginam.
Diante de mais de 60 mil torcedores, o Brasil enfrentou o Panamá, 33º colocado no ranking da Fifa e uma das seleções classificadas para a Copa. O time panamenho, que estará no grupo da Inglaterra no Mundial, deu trabalho enquanto teve força física e a equipe praticamente completa.
A impressão é que Carlo Ancelotti colocou em campo a base que imagina para a estreia contra o Marrocos daqui a duas semanas. As exceções devem ser na defesa: Bremer e Léo Pereira tendem a perder espaço para Marquinhos e Gabriel Magalhães, que disputaram a final da Champions League e ainda não se apresentaram. Para Ancelotti, o time da Copa já está praticamente desenhado.
O Brasil começou estranho, sem grande inspiração, especialmente no meio-campo. Faltou criatividade, velocidade na troca de passes e a sensação de domínio que se espera de uma seleção candidata ao título. Quem tirou o time do sufoco foi Vinícius Júnior. O atacante marcou o primeiro gol e deu a assistência para Casemiro ampliar.
Neymar, ainda sem condições físicas, ficou no banco sem sequer estar uniformizado para jogar. Mas segue nos planos. A grande dúvida é saber quando e em que condição poderá ser utilizado durante o Mundial.
No intervalo, Ancelotti mudou praticamente o time inteiro, aproveitando as dez substituições permitidas no amistoso. O Brasil cresceu com os reservas, que aumentaram o ritmo e transformaram a vitória em goleada. Mas isso dificilmente vai mudar a cabeça do treinador. Ancelotti tem convicções e uma ideia de equipe.
A despedida deixou duas certezas. A primeira é positiva: a torcida quer abraçar a Seleção. O Maracanã lotado derruba a tese de que o brasileiro perdeu o interesse pelo time nacional. A segunda é mais preocupante: faltando duas semanas para a estreia, o Brasil ainda não parece pronto.

