O governo da China afirmou nesta segunda-feira (11) que deseja trabalhar com os Estados Unidos para trazer “maior estabilidade” às relações internacionais. A declaração ocorre antes da chegada do presidente americano, Donald Trump, ao país asiático para uma cúpula de três dias com o presidente chinês, Xi Jinping.
A visita está marcada para quarta (13) a sexta-feira (15). Inicialmente, o encontro estava previsto para o final de março, mas foi adiado por causa da guerra no Oriente Médio.
Esta é a primeira vez desde 2017, durante o primeiro mandato de Trump, que um presidente dos Estados Unidos visita a China. O ex-presidente Joe Biden não viajou ao país asiático em seus quatro anos de governo.
As relações comerciais devem dominar as negociações. O encontro ocorre após um ano de confrontos entre os dois países, marcados por tarifas e restrições. Antes da cúpula entre Xi e Trump, negociadores comerciais de ambos os lados — o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, e o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent — devem se reunir em Seul.
Em outubro, Xi e Trump concordaram com uma trégua temporária na guerra comercial. A expectativa é que a trégua possa ser estendida durante a visita.
Além do comércio, a crise no Oriente Médio será outro tema da cúpula. O conflito foi desencadeado pelo ataque de 28 de fevereiro de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, afirmou que o país pretende trabalhar com os Estados Unidos “em pé de igualdade, em um espírito de respeito e preocupação com os interesses mútuos, para desenvolver a cooperação, gerir as diferenças e trazer mais estabilidade e segurança a um mundo instável e interdependente”.
A China é diretamente afetada pela guerra no Oriente Médio e pelo fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do gás e petróleo do mundo.
Trump chegará à China na noite de quarta-feira, segundo Anna Kelly, porta-voz adjunta do governo americano. Na quinta-feira pela manhã, haverá uma cerimônia de boas-vindas e uma reunião bilateral com Xi Jinping em Pequim. À tarde, está prevista uma visita ao Templo do Céu, seguida de um banquete de Estado à noite. Na sexta-feira, os dois líderes participarão de um chá bilateral e um almoço de trabalho antes do retorno de Trump a Washington.
A China é um parceiro econômico e político importante para o Irã e a principal importadora de petróleo iraniano. Mais da metade das importações chinesas de petróleo por via marítima vêm do Oriente Médio e passam pelo Estreito de Gibraltar, segundo a empresa de pesquisa Kpler.
O país, que depende muito do comércio internacional, já começa a sentir os efeitos da guerra, embora pareça mais preparado que seus vizinhos para lidar com a situação. Especialistas apontam que Xi Jinping chega à cúpula em uma posição de relativa força em comparação com Trump, que está envolvido no conflito do Oriente Médio e sob pressão das eleições de meio de mandato nos EUA, em novembro.
Desde o início da guerra, em fevereiro, Pequim moderou suas críticas aos Estados Unidos e seu apoio ao Irã. Guo Jiakun disse apenas que a China continuará a ter um papel “positivo” nos esforços para resolver a crise.
Na sexta-feira, o Departamento de Estado dos EUA anunciou sanções contra três empresas com sede na China, acusadas de fornecer imagens de satélite usadas pelo Irã. A China se opõe às “sanções unilaterais ilegais”, afirmou Guo. “O mais urgente é impedir a retomada do conflito, não explorá-lo para difamar outros países”, completou.
O Departamento do Tesouro dos EUA também sancionou empresas na China continental e em Hong Kong por suposta contribuição ao fornecimento de armas ao Irã. Analistas duvidam que Pequim ceda à pressão americana sobre o Irã e acreditam que a China deve buscar conquistas concretas durante a cúpula, mesmo que mínimas, como em relação às tarifas.

