Há 30 anos, o GP de Mônaco teve apenas três carros cruzando a linha de chegada. O francês Olivier Panis venceu aquela corrida, que entrou para a história como a prova com o menor número de concluintes na Fórmula 1. O circuito de Monte Carlo já foi palco de outros momentos inusitados, relembrados abaixo.

    Apelidada de “jóia da coroa” da F1, Mônaco foi o último destino de um diamante avaliado, em 2004, em 300 mil dólares (R$ 1,5 milhão na cotação atual). A peça foi colocada no bico da Jaguar de Christian Klien e também no carro de Mark Webber para divulgar o filme “Doze Homens e um Segredo”. Klien bateu na primeira volta da corrida. O diamante preso em seu carro se soltou e sumiu, sem indícios de seu paradeiro até hoje.

    Conhecido na F1 por sua personalidade excêntrica, Kimi Raikkonen protagonizou um episódio curioso no GP de Mônaco de 2006, após abandonar a corrida a 28 voltas do fim. O Homem de Gelo sofreu com uma falha elétrica que chegou a causar um princípio de incêndio na McLaren. Ele, que estava em segundo lugar na corrida atrás de Fernando Alonso, deixou o carro e não seguiu até a garagem da equipe: o destino do finlandês foi seu iate, ancorado na marina de Monte Carlo.

    O acirrado duelo entre Ayrton Senna e o colega da McLaren, Alain Prost, não terminou bem para o brasileiro no GP de Mônaco de 1988. O tricampeão liderava a corrida mas, depois do chefe Ron Dennis pedir, pelo rádio, para seus pilotos tirarem o pé, ele bateu na curva Portier a 11 voltas da bandeirada. Profundamente frustrado com o abandono, Ayrton não foi para a garagem da equipe – ele seguiu direto para o seu apartamento na cidade. Antes da colisão, a vantagem do brasileiro na liderança chegou a 50 segundos.

    Mônaco foi um dos capítulos da intensa rivalidade entre Michael Schumacher e Fernando Alonso. O heptacampeão acabou punido após a classificação da etapa: ele acionou uma bandeira amarela e impediu a última tentativa do rival na conclusão do Q3, durante a classificação de sábado. O veterano travou os pneus de sua Ferrari na curva Rascasse e estacionou a poucos centímetros do guard rail, o que, no entendimento dos comissários, foi intencional. Ele perdeu a pole position após ser constatada uma direção suspeita por parte do alemão em sua câmera de bordo. Depois de 14 anos, seu colega na Ferrari na época, Felipe Massa, confirmou: o ato foi intencional.

    Em 2022, faltando exatos 30 segundos para o fim da classificação, Sergio Pérez e Carlos Sainz bateram na saída Portier e “interditaram” o túnel de Mônaco. O acidente antecipou o fim da sessão e confirmou a pole de Charles Leclerc. A colisão tirou as chances de Max Verstappen e Lewis Hamilton de melhorarem suas posições no grid.

    As últimas duas voltas do GP de Mônaco de 1982 foram puro caos: líder, Alain Prost rodou e cedeu a vantagem para Riccardo Patrese, mas seu carro parou e só voltou a andar após ser empurrado pelos fiscais. A liderança caiu no colo de Didier Pironi, mas uma falha de ignição imobilizou sua Ferrari no túnel. Sobrou Andrea de Cesaris, que não demorou para aparecer estacionado na subida da Beau Rivage com uma pane seca. Derek Daly, que herdaria a posição, sofreu com uma quebra de câmbio. Restou, então, Patrese, que conseguiu se manter na disputa. Ele só soube que ganhou a corrida depois de cruzar a linha de chegada.

    Em 2000, a velocidade dos pilotos foi colocada à prova em Monte Carlo – mas a pé. Graças à batida de Jenson Button com Pedro de La Rosa na curva Loews, a bandeira vermelha foi acionada e vários carros acabaram sem ter para onde ir. Alguns pilotos desceram e foram correndo para o pit lane – incluindo Button, Ricardo Zonta, Nick Heidfeld e Marc Gené. O primeiro a chegar até seu carro reserva foi Pedro Paulo Diniz.

    Na corrida vencida por Lewis Hamilton em 2016, a bizarrice ficou por conta da Red Bull, que atrasou Daniel Ricciardo na briga pela vitória com o inglês. O australiano liderava a prova sob a chuva e foi chamado aos boxes, mas ninguém aprontou os pneus a tempo, e por isso, o pit stop durou 14 segundos. O chefe da época, Christian Horner, explicou que os pneus supramacios solicitados para a troca estavam no fundo da garagem da equipe.

    Cinco anos depois, foi a vez da Mercedes errar. Valtteri Bottas ocupava o segundo lugar no GP em 2021 quando foi chamado aos boxes; porém, na hora de usar a pistola, a porca do pneu dianteiro direito foi danificada e a peça ficou presa na roda. O finlandês ficou mais de um minuto parado na garagem e abandonou a corrida. A equipe alemã só conseguiu retirar a porca do carro após levá-lo de volta para a fábrica, dias depois da prova.

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    Nilson Tales

    Formado em Engenharia de Alimentos pela UEFS, Nilson Tales trabalhou durante 25 anos na indústria de alimentos, mais especificamente em laticínios. Depois de 30 anos, decidiu dedicar-se ao seu livro, que está para ser lançado, sobre as Táticas Indústrias de grandes empresas. Encara como hobby a escrita dos artigos no Universo NEO e vê como uma oportunidade de se aproximar da nova geração.