O presidente Luiz Inácio Lula da Silva promulgou, nesta quarta-feira (28/04), o decreto executivo que incorpora o Acordo Provisório de Comércio entre o Mercosul e a União Europeia ao ordenamento jurídico brasileiro.

    Fruto de mais de 25 anos de negociações, o acordo representa um marco para os dois blocos regionais. A partir de 1º de maio, com a aplicação provisória do Instrumento de Aprovação Temporária (ITA), estabelece-se uma das maiores áreas de livre comércio bilaterais do planeta. O acordo abrange 31 países, 720 milhões de pessoas e um PIB combinado superior a US$ 22 trilhões.

    A promulgação ágil do acordo reflete a prioridade dada pelo presidente Lula ao tema desde o início de seu terceiro mandato. A medida deve contribuir para a diversificação das parcerias globais do Brasil, o aumento das exportações e a redução de custos para produtores e consumidores. Também são esperadas novas oportunidades para trabalhadores e empresas brasileiras.

    O tratado eliminará tarifas de importação para a maioria dos produtos comercializados entre os dois blocos. No caso do Brasil, setores como agronegócio, carnes, açúcar e etanol terão acesso facilitado ao mercado europeu. Já a União Europeia poderá exportar máquinas, veículos e produtos químicos com menos barreiras.

    O acordo ainda precisa ser ratificado por todos os parlamentos dos países do Mercosul e da União Europeia para entrar em vigor de forma definitiva. Até lá, apenas as partes que tratam de comércio de bens e serviços, compras governamentais e regras sanitárias serão aplicadas temporariamente.

    As negociações entre Mercosul e União Europeia começaram em 1999. Houve avanços e paradas ao longo dos anos. O principal entrave sempre foi a resistência de países europeus à importação de produtos agrícolas. Nos últimos anos, as exigências ambientais também se tornaram um ponto de debate.

    O governo brasileiro avalia que o acordo pode aumentar o Produto Interno Bruto (PIB) do país em até 0,46% nos próximos 15 anos. Para o Mercosul como um todo, o impacto estimado é de um crescimento adicional de 0,5% ao ano. As exportações brasileiras para a União Europeia devem crescer cerca de 12% no mesmo período.

    O acordo também prevê regras para proteção ambiental e trabalhista. Os países signatários se comprometem a cumprir o Acordo de Paris sobre mudanças climáticas e a não incentivar o desmatamento ilegal. No caso do Brasil, isso significa reforçar o combate ao desmatamento na Amazônia e no Cerrado.

    A promulgação do decreto pelo presidente Lula ocorre em um momento de retomada das relações comerciais do Brasil com parceiros estratégicos. Nos últimos meses, o governo também avançou em acordos com outros países e blocos, como a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) e Singapura. A expectativa é que novas parcerias sejam anunciadas nos próximos meses.

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    Nilson Tales

    Formado em Engenharia de Alimentos pela UEFS, Nilson Tales trabalhou durante 25 anos na indústria de alimentos, mais especificamente em laticínios. Depois de 30 anos, decidiu dedicar-se ao seu livro, que está para ser lançado, sobre as Táticas Indústrias de grandes empresas. Encara como hobby a escrita dos artigos no Universo NEO e vê como uma oportunidade de se aproximar da nova geração.