Partidos políticos começaram a criar regras internas em junho para tentar impedir que pessoas ligadas a facções criminosas e milícias disputem as eleições deste ano. A medida foi tomada após recomendação do Ministério Público Eleitoral (MPE), que pressionou as legendas a adotarem providências.

    Entre as ações previstas estão a análise da documentação dos pré-candidatos e a assinatura de um termo em que o postulante declara não ter vínculo com grupos criminosos. O MPE sugeriu que os partidos verifiquem o histórico criminal dos filiados e criem comissões de sindicância ética.

    A recomendação do órgão, divulgada no fim de junho, alertou que a Justiça Eleitoral poderia ser acionada contra as legendas que não cumprissem as medidas, por “dolo e desídia deliberada”. A orientação pegou as direções partidárias de surpresa, e algumas siglas tiveram de se mobilizar para atender à proposta.

    Dirigentes de partidos com maior bancada na Câmara dos Deputados criticaram a cobrança em conversas reservadas. Um deles afirmou que a exigência é inócua e tenta transferir para as legendas funções que seriam dos órgãos de fiscalização. Também houve questionamento sobre a análise patrimonial de pré-candidatos, prevista na recomendação.

    O presidente do Mobiliza, Carlos Massarollo, disse que os partidos não têm os mesmos meios de investigação que a polícia e o Ministério Público. Já o presidente do PCO, Rui Pimenta, escreveu em artigo que a recomendação “é praticamente uma ordem” e que não faz sentido o partido desconfiar de um cidadão sem provas.

    Antes da recomendação, apenas o MDB, entre os oito maiores partidos da Câmara, havia oficializado uma norma para coibir a filiação de membros de organizações criminosas. A regra vale para 2026.

    A reportagem procurou as 30 legendas registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para saber quais ações foram tomadas. PT e PL não responderam ao contato. O diretório do PL no Distrito Federal, no entanto, aprovou uma resolução criando uma comissão de integridade e ética partidária. A medida torna obrigatória a apresentação de informações sobre patrimônio, certidões criminais e uma declaração de ausência de vínculo com organizações criminosas.

    O Republicanos também aprovou resolução em âmbito nacional. A sigla exige a assinatura de uma declaração de “ausência de vínculo com organização paramilitar ou grupo criminoso de natureza congênere”. O diretório do União Brasil no DF também aprovou uma resolução sobre o tema.

    O Cidadania informou ao MPE que os documentos sobre o histórico dos candidatos são enviados à Justiça Eleitoral no momento do registro e que a análise é feita pelos Tribunais Regionais Eleitorais e pelo TSE. A legenda lembrou que o Supremo Tribunal Federal proíbe a expulsão sumária de filiados e que não pode fazer juízo de culpa antes do trânsito em julgado de uma sentença criminal.

    PSDB, PDT, PSB e Novo afirmaram que ainda não tomaram conhecimento da recomendação, mas disseram que já possuem mecanismos para impedir a infiltração do crime organizado. O Podemos declarou que vai cumprir qualquer determinação do MPE. O Novo informou que seus pré-candidatos passam por verificação de antecedentes feita por uma empresa especializada.

    O Missão, partido do pré-candidato à Presidência Renan Santos, disse que já respondeu às Procuradorias Regionais Eleitorais e que prevê a expulsão imediata de filiados com “fundadas suspeitas ou investigação”. O PSTU afirmou que os pré-candidatos são pessoas conhecidas da direção partidária. PV, UP e PC do B também declararam que cumprem as regras ou possuem mecanismos de proteção.

    Share.
    Nilson Tales

    Formado em Engenharia de Alimentos pela UEFS, Nilson Tales trabalhou durante 25 anos na indústria de alimentos, mais especificamente em laticínios. Depois de 30 anos, decidiu dedicar-se ao seu livro, que está para ser lançado, sobre as Táticas Indústrias de grandes empresas. Encara como hobby a escrita dos artigos no Universo NEO e vê como uma oportunidade de se aproximar da nova geração.

    Ver todo o conteúdo