A lista dos 25 maiores atletas do século XXI divulgada pelo Sport Bible, com base em ranking da ESPN, chama a atenção tanto pelo que apresenta quanto pelo que omite. A primeira impressão é clara: o futebol, esporte mais popular do mundo, tem participação pequena. Somente Lionel Messi e Cristiano Ronaldo representam uma modalidade que movimenta bilhões, mobiliza continentes e domina a cultura esportiva mundial.

    Não se trata exatamente de uma injustiça com os excluídos. É mais um indício de como esse tipo de classificação, que frequentemente usa critérios como número de títulos, medalhas olímpicas e estatísticas, acaba beneficiando esportes com calendários mais regulares e conquistas mais fáceis de quantificar, como natação, tênis e as modalidades americanas.

    No topo da relação, há pouco espaço para questionamentos. Michael Phelps está em primeiro lugar com sua impressionante coleção de medalhas olímpicas, um feito difícil de repetir em qualquer época. Serena Williams vem em seguida como uma das maiores tenistas da história, com domínio técnico e influência cultural. Messi, na terceira posição, é quase uma unanimidade quando o assunto é talento dentro de campo, seguido por LeBron James, que impressiona pela longevidade e regularidade na NBA, e Tom Brady, ícone do futebol americano.

    Estas são escolhas que se justificam pela lógica usada no ranking. São atletas que não só venceram, mas comandaram seus esportes por muitos anos. Mesmo assim, quando Messi surge como o único representante do futebol entre os cinco primeiros, fica a sensação de um desequilíbrio entre a importância global da modalidade e o espaço que ela ocupa na lista.

    A omissão mais expressiva talvez seja a do Brasil. Nenhum atleta brasileiro integra a relação dos 25 maiores do século. E isso reflete mais a fase do esporte no país do que um suposto preconceito na elaboração da lista.

    O futebol, principal cartão de visita do Brasil, passa por um período sem protagonismo mundial quando se considera o século XXI. Não há conquista recente da Copa do Mundo, e não existe um jogador brasileiro com o domínio absoluto no cenário internacional como se viu no passado. Nomes como Ronaldinho Gaúcho, Kaká ou Neymar tiveram momentos de alto brilho, impacto e qualidade, mas não mantiveram por tempo suficiente o nível de supremacia pedido para classificações deste tipo.

    Em outros esportes, o Brasil também não conseguiu um domínio duradouro. Houve talentos fora do comum, medalhistas olímpicos e campeões mundiais, mas poucos estabeleceram carreiras longas e de sucesso constante comparáveis às de Phelps, Serena ou Usain Bolt.

    A lista, no final, pode causar desconforto – em especial pela reduzida representação do futebol -, mas serve como um registro realista: o século XXI, até este momento, não tem favorecido o protagonismo brasileiro no esporte mundial. E, independentemente da opinião sobre o ranking, a ausência do Brasil entre os maiores é talvez o ponto que mais chama a atenção em toda a seleção.

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    Nilson Tales

    Formado em Engenharia de Alimentos pela UEFS, Nilson Tales trabalhou durante 25 anos na indústria de alimentos, mais especificamente em laticínios. Depois de 30 anos, decidiu dedicar-se ao seu livro, que está para ser lançado, sobre as Táticas Indústrias de grandes empresas. Encara como hobby a escrita dos artigos no Universo NEO e vê como uma oportunidade de se aproximar da nova geração.