Após classificar como “inaceitável” a situação em Ceuta, tomada por milhares de imigrantes na semana passada, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, defendeu mais colaboração com a Espanha e mais recursos para o Marrocos. A declaração foi feita nesta segunda-feira (3), depois de um fim de semana de tensão pública entre integrantes do bloco.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, pediu mais solidariedade aos colegas e destacou que a Espanha recebeu menos da metade dos imigrantes que a Itália nos últimos cinco anos: 234.760 contra 478.600. A fala buscava conter uma onda de desinformação e uma ofensiva política liderada pela primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni. O governo italiano chegou a propor a exclusão da Espanha do Espaço Schengen e impôs restrições unilaterais entre os países.
A ação de Meloni resultou em uma carta assinada por 22 dos 27 líderes da União Europeia pedindo uma reunião de emergência e uma resposta mais dura contra a crise migratória. Nas entrelinhas, a mensagem criticava a política espanhola, que supostamente incentivaria a entrada irregular de imigrantes no bloco.
Para tentar amenizar os atritos, foi marcado um encontro de ministros do Interior para esta terça-feira (4), precedido por uma reunião de embaixadores. A expectativa para o diálogo, no entanto, não é positiva. Analistas preveem que Meloni deve pressionar pela liberação de centros de detenção terceirizados, como o que construiu na Albânia e que foi proibido pela Justiça italiana e europeia.
A posição de Meloni ocorre em um momento de popularidade em queda, com derrotas legislativas recentes e o crescimento do militar Roberto Vannacci, que defende deportação em massa. Atacar Sánchez é visto como uma forma de fortalecer sua base política e incomodar a esquerda italiana.
Outros líderes também se posicionaram. A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, que adota uma linha dura contra a imigração, apoiou a discussão. Nas redes sociais, Donald Trump, J. D. Vance, Javier Milei e Itamar Ben-Gvir criticaram o premiê espanhol. O embaixador de Israel na ONU, Danny Danon, questionou a presença espanhola em Ceuta e Melilla, territórios que existem desde o fim do século 15.
Em Londres, o líder da ultradireita britânica, Nigel Farage, prometeu a “maior operação no Canal da Mancha desde a Segunda Guerra” para conter a imigração ilegal. O partido dele, o Reform UK, voltou a aparecer atrás nas pesquisas após uma série de escândalos no Reino Unido, com o Partido Trabalhista de Andy Burnham retomando a liderança.

