A percepção da Inteligência Artificial como um Google mais inteligente ficou para trás com a velocidade das mudanças tecnológicas. O novo foco do mercado corporativo é a força de trabalho agêntica, que transforma a IA de ferramenta em um colaborador dinâmico.

    Diferente dos modelos antigos, esses agentes podem interpretar comandos de voz, analisar dados complexos em planilhas e resolver tarefas burocráticas em plataformas como WhatsApp e Slack. Eles se integram ao cotidiano das empresas.

    Essa mudança para um modelo em que a tecnologia é um colega de equipe tem base em projeções globais. Dados do Gartner mostram que, até o final de 2026, 40% das grandes empresas do mundo terão estratégias para implementar forças de trabalho agênticas.

    A integração de agentes autônomos em decisões de alto nível mostra uma mudança de paradigma. A autonomia tecnológica deixa de ser uma ideia do futuro para virar um ponto central para a competitividade e eficiência das empresas.

    Para o especialista Elemar Júnior, fundador da eximia.co e consultor de empresas como Nubank, B3 e Banco do Brasil, a mudança é estrutural. Ele diz que o modelo tradicional de gestão, com pessoas, processos e tecnologia, ganha um quarto elemento: os agentes.

    No organograma proposto por Elemar, os agentes são entidades que executam tarefas e interagem com humanos como membros da equipe. A geração de valor segue esta ordem: pessoas, depois agentes, processos e, por fim, a tecnologia de suporte.

    A revolução agêntica também indica o fim do modelo tradicional de softwares complexos, o SaaS (Software as a Service). Seguindo a visão de líderes como Satya Nadella, CEO da Microsoft, o mercado avança para a web agêntica, onde a linguagem natural substitui a navegação em dashboards.

    Na prática, a eximia.co já trabalha com essa ideia por meio da Márcia, uma entidade agêntica que gerencia desde marketing até o controle financeiro. Essa automação, segundo a McKinsey, pode liberar até 30% do tempo dos gestores, acabando com tarefas manuais e repetitivas.

    No entanto, mesmo com o ganho de produtividade, há um limite ético. Pesquisas do MIT mostram que, embora a IA possa fazer até 90% da execução técnica de um processo, a responsabilidade ética e moral continua sendo humana.

    A tecnologia melhora a entrega, mas a governança e o julgamento sobre as ações automatizadas não podem ser passados para algoritmos. As lideranças precisam manter o controle estratégico e normativo sobre o ecossistema digital.

    Com mais de 30 anos de experiência, começando na programação aos 13 anos, Elemar Júnior destaca que o desafio atual das empresas não é o acesso ao código, mas a gestão dessa estrutura híbrida.

    Como mentor de executivos e referência na comunidade técnica internacional, ele usa a eximia.co para aplicar o conceito de AI First. A ideia é unir engenharia de alta performance com estratégia de negócios.

    O objetivo final é garantir que a tecnologia não seja um fim em si mesma, mas uma forma de potencializar o talento criativo e a visão estratégica que só o capital humano tem.

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    Nilson Tales

    Formado em Engenharia de Alimentos pela UEFS, Nilson Tales trabalhou durante 25 anos na indústria de alimentos, mais especificamente em laticínios. Depois de 30 anos, decidiu dedicar-se ao seu livro, que está para ser lançado, sobre as Táticas Indústrias de grandes empresas. Encara como hobby a escrita dos artigos no Universo NEO e vê como uma oportunidade de se aproximar da nova geração.